XP Asset alerta: maior risco da Bolsa americana é não investir nela
Para César Florido, da XP Asset, ficar de fora da Bolsa americana significa perder as maiores oportunidades globais de investimento.
Segundo avaliação de César Florido, head da XP Asset nos Estados Unidos, o maior risco para quem investe no Brasil é concentrar todo o patrimônio em ativos domésticos e deixar de aproveitar oportunidades na Bolsa americana, que representa a maior parte do mercado de capitais mundial. O Brasil responde por menos de 1% desse mercado global.
Florido explica que os lucros das empresas do índice S&P 500 tiveram crescimento de 30% nos últimos 12 meses, impulsionados não somente pela inteligência artificial, mas também por transformações importantes em setores como saúde e energia. Ele compara o mercado americano a um “transatlântico navegando a 50 milhas por hora”, e destaca que o maior risco é não participar dessa dinâmica.
Mais do que tecnologia: setores com potencial de crescimento
Embora a inteligência artificial seja um tema frequente nas manchetes, Florido considera equivocado limitar as perspectivas da Bolsa americana apenas a essa área. Ele aponta para mudanças estruturais esperadas no setor de saúde e para a transformação na geração de energia elétrica, ressaltando que a inteligência artificial depende diretamente de energia disponível.
Essas mudanças ampliam o leque de oportunidades para além das empresas diretamente ligadas à IA, ampliando a diversidade do mercado.
Inflação como fator relevante para investimentos
O executivo também acredita que a inflação persistente será um desafio importante na próxima década, com uma expectativa de inflação americana acima de 3% ao ano. Nesse contexto, as ações ganham importância por representarem participação em negócios reais e possibilitarem acompanhar o crescimento nominal da economia.
Florido enfatiza que não se deve comprar ações americanas a qualquer preço, mas alerta que não ter nenhuma exposição a esses ativos é um erro.
Renda fixa internacional: preferência por prazos curtos e maior risco de crédito
A XP Asset adota uma postura mais cautelosa em relação à renda fixa internacional, particularmente sobre títulos de longo prazo, já que espera que os juros longos nos EUA se mantenham elevados ou até mesmo aumentem a partir de 2027.
Por isso, a gestora mantém uma carteira com duration curta – abaixo de quatro anos, contra 6,2 anos do índice Global Aggregate –, reduzindo a sensibilidade às oscilações das taxas de juros.
Para compensar essa estratégia, há maior exposição a riscos de crédito, especialmente em títulos americanos de alto rendimento (high yield) e dívida de mercados emergentes, que apresentam boas perspectivas dadas as condições fiscais dessas economias após a pandemia.
Erros comuns ao investir no exterior e recomendações
Florido identifica três erros típicos para os investidores brasileiros que buscam diversificar internacionalmente:
- Tentar acertar o momento do dólar: Em vez disso, o especialista recomenda construir a exposição internacional gradualmente, por meio de compras periódicas para reduzir a dependência de uma única cotação.
- Manter viés doméstico: Internacionais, mas comprando ativos ligados ao Brasil, os investidores acabam sem diversificar efetivamente os riscos. A sugestão é apostar em ações e títulos de mercados desenvolvidos e emergentes para ampliação da diversificação.
- Escolha inadequada de produtos de renda fixa: Muitos investidores brasileiros não estão acostumados à volatilidade dos títulos prefixados no exterior, o que requer cautela e ajuste do perfil de risco na alocação internacional.
Investimento internacional como estratégia de longo prazo
Apesar dos riscos atuais no mercado global, como tensões geopolíticas, inflação persistente e juros elevados, Florido defende que a construção de uma posição internacional na Bolsa americana deve ser encarada com visão de médio e longo prazo, acompanhando crescimento, inovação e maior produtividade.
Em resumo, ficar fora da Bolsa americana representa, para o executivo da XP Asset, o maior risco para quem quer diversificar e ampliar as possibilidades de retorno em seu portfólio.