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Economia

Preço do petróleo ultrapassa US$ 111, maior valor em cinco meses, com tensões no Oriente Médio

Alta do petróleo ocorre em meio a conflitos na região que ameaçam o transporte e abastecimento global.

20/10/2026 às 10h51  ·  Atualizado em 20/10/2026 às 10h53

O preço do petróleo atingiu nesta terça-feira (20) o maior nível em cinco meses, ultrapassando a marca de US$ 111 por barril. A valorização ocorre diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio, principalmente envolvendo ataques que ameaçam o transporte e a oferta global do combustível.

Por volta das 9h, o barril do petróleo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 111,12, alta de 1,43%. Durante as operações, o preço chegou a US$ 111,69, um avanço de 2%. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 5,7%, sendo cotado a US$ 109,60 por barril.

A elevação dos preços foi impulsionada por ataques realizados pelo grupo houthis, alinhado ao Irã, que na segunda-feira (19) afirmou ter atacado alvos energéticos, aeroportuários e militares na Arábia Saudita, incluindo uma instalação da operadora estatal Aramco. As autoridades sauditas não confirmaram essas alegações, que ainda não foram verificadas de forma independente.

Leia também: Petróleo recua em meio a tensão no Oriente Médio e flexibilização de sanções contra Rússia

Um ponto crítico para o mercado é o Estreito de Ormuz, passagem estratégica entre o golfo Pérsico e o golfo de Omã, crucial para o comércio internacional de petróleo. Segundo a empresa de análise Kpler, o fluxo de petróleo pela região caiu para cerca de 8,5 milhões de barris por dia na semana passada, contra mais de 20 milhões na semana anterior. Na preparação para esta situação, um petroleiro incendiou e explodiu após colidir com uma mina naval no sul da passagem, conforme informações da Guarda Revolucionária do Irã.

Em paralelo, o conflito na região segue em evidência, com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, reunindo-se discretamente com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para tratar da situação.

Agência Internacional de Energia monitora o cenário

Diante do aumento das tensões e do impacto nos preços do petróleo, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou estar preparada para uma nova liberação coordenada de petróleo das reservas de emergência de seus países membros, caso seja necessário. Na semana passada, a agência acelerou a liberação de um estoque de mais de 400 milhões de barris anunciado em março, tendo disponibilizado cerca de 80% desse volume.

A AIE também trabalha para antecipar a liberação de mais de 20 milhões de barris de diesel, dependendo das condições de cada país e das necessidades do mercado, especialmente com a proximidade do inverno no Hemisfério Norte.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou um programa de US$ 8 bilhões para ajudar agricultores a compensar custos com diesel durante a temporada de colheita, iniciativa que ocorre em um momento de pressão sobre o custo de vida e com as eleições legislativas próximas.

O futuro da cotação do petróleo dependerá da evolução dos conflitos no Oriente Médio, das condições de navegação no Estreito de Ormuz e da capacidade de ampliar a oferta para suprir possíveis interrupções no abastecimento global.

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