Três empresários são presos por esquema que desviava armas para facções no ES e RJ
Polícia Civil cumpriu mandados em nove lojas, apreendendo 118 armas e 4 mil munições usadas em comércio ilegal.
Três homens foram presos nesta terça-feira (20) suspeitos de integrar um esquema de desvio ilegal de armas e munições para abastecer organizações criminosas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. A ação policial resultou na apreensão de 118 armas e cerca de 4 mil munições.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, mandados de busca foram cumpridos em nove estabelecimentos comerciais, sendo cinco deles localizados na Grande Vitória, Espírito Santo, uma loja em Castelo (região Sul do estado) e três no Rio de Janeiro.
O grupo criminoso se valia de documentos falsificados para adquirir irregularmente armas, incluindo fuzis, e munições. Pessoas com antecedentes criminais eram utilizadas para efetuar compras múltiplas, adquirindo dez ou mais armamentos por vez, segundo o delegado Guilherme Eugênio Rodrigues.
As prisões ocorreram em Cariacica, na Região Metropolitana da Grande Vitória. Entre os detidos estão Luciano dos Santos Freitas, de 60 anos, preso em flagrante por falsidade ideológica e comércio ilegal; Israel Rufino dos Santos, de 49, proprietário de uma das lojas investigadas; e Arlenn Carvalho Muzzi, de 43, funcionário do estabelecimento, também autuado pelos mesmos crimes. A loja funcionava ainda como centro de treinamento tático.
O delegado revelou que em uma das lojas, todas as munições importadas vendidas foram comercializadas sem emissão de nota fiscal, evidenciando a prática ilegal.
A investigação teve início em dezembro de 2024, após a prisão de um empresário suspeito de vender armas ilegalmente em Cachoeiro de Itapemirim, município do Sul do Espírito Santo. A partir desse desdobramento, a polícia identificou uma organização criminosa de âmbito interestadual que fraudava o comércio dessas armas.
O material apreendido passará por perícia para confirmar se as armas foram adulteradas ou se foram empregadas em atividades criminosas.
Medidas de controle reforçadas
O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Jordano Bruno, afirmou que a investigação motivou aprimoramentos nos mecanismos de fiscalização da venda de armas e munições no país. Entre as medidas, o Exército Brasileiro e a Polícia Federal disponibilizaram ferramentas online para autenticidade dos documentos apresentados durante as compras de armamentos.
Além disso, o governo federal implantou um sistema de notificações pelo portal Gov.br para compras de munições, visando aumentar o controle sobre essas transações e prevenir fraudes.