Empresa ligada a vereador preso usava mensagens para promover candidatura antes da eleição
Nort Telecom enviou mensagens a clientes associando seus serviços à campanha eleitoral do vereador Fábio Silva em 2024.
O vereador Fábio Silva (Podemos) foi preso pela Polícia Federal em Londrina, no Paraná, durante a Operação Backbone, que visa desarticular uma rede de provedores de internet controlada pelo Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio de Janeiro. A Nort Telecom, empresa ligada ao parlamentar, atuava no Complexo do Chapadão e enviou mensagens a seus clientes em 2024 promovendo a candidatura do vereador para as eleições municipais daquele ano.
Mensagens automáticas da Nort Telecom associavam diretamente a companhia à campanha eleitoral de Fábio Silva. Um texto convidava os destinatários a seguirem o candidato nas redes sociais e o atendimento automatizado usava o nome e o número eleitoral do vereador (20669).
Em 2024, denúncias apontaram que clientes eram ameaçados com a suspensão dos serviços de internet caso não votassem em Fábio Silva, ainda que estivessem com pagamentos em dia. Esse fato provocou investigação do Ministério Público Eleitoral por abuso de poder econômico e político, acompanhada do pedido de cassação do mandato do vereador, que já havia sido eleito. A Justiça Eleitoral aplicou multa de R$ 5 mil por propaganda eleitoral irregular, mas absolveu o parlamentar da cassação.
Além disso, denúncias incluíram a pintura de espaços públicos, como barricadas, paredes e praças no Complexo do Chapadão, com a cor verde, correspondente à campanha eleitoral de Fábio Silva. Testemunhas relataram que o Comando Vermelho permitia essas intervenções urbanas, embora o vereador tenha negado participação direta nessas ações, atribuindo-as a um grupo de voluntários.
A Operação Backbone trouxe à tona que provedores investigados pagam mensalmente taxa ao Comando Vermelho para operar nas favelas do Alemão, Penha e Chapadão, dificultando a entrada de concorrentes por meio de ações criminosas como cortes de cabos e incêndios. A operação da Polícia Federal incluiu mandados de prisão, busca e apreensão, bloqueio de bens estimados em até R$ 558 milhões e suspensão das atividades das empresas envolvidas.
Fábio Silva negou qualquer ligação com as práticas ilícitas investigadas e sua defesa aguarda acesso aos autos do processo para se manifestar. A transferência do vereador para o Rio de Janeiro depende de autorização do Supremo Tribunal Federal.