Manifestantes protestam contra suposta interferência da Meta nas eleições em frente à sede em São Paulo
Grupo realiza ato na sede da Meta em SP contra restrições a perfis ligados à campanha de Lula nas eleições de 2026.
Na tarde de segunda-feira (19), manifestantes realizaram protesto em frente à sede da Meta na Avenida Faria Lima, Zona Sul de São Paulo, contra o que definem como interferência da empresa no processo eleitoral brasileiro. O ato, organizado por entidades da sociedade civil e movimentos sociais, questiona ações da Meta, dona do Facebook, Instagram, Threads, WhatsApp e Meta AI, sobretudo relacionadas à moderação de conteúdo político.
Os organizadores do protesto alegam que a empresa restringiu conteúdos e perfis vinculados a grupos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. Conforme apuração da TV Globo, os manifestantes tentaram entregar uma notificação extrajudicial à Meta, dirigida ao diretor Conrado Leister, mas a empresa recusou o recebimento do documento.
A notificação exigia reparação pelos danos atribuídos à plataforma, maior transparência nas decisões de moderação e a criação de canais para contestação por parte de usuários e organizações afetadas. O documento também solicita o fim da prática conhecida como “shadowban”, que consiste na redução seletiva do alcance de publicações sem aviso claro aos usuários, além da preservação de registros para auditorias do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Ministério Público e da sociedade civil.
O protesto foi coordenado por organizações como CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil.
Decisão do TSE e posicionamento da Meta
Em 15 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que, até o fim do segundo turno das eleições, a Meta não pode interferir na distribuição de conteúdo político-eleitoral nem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem de Flávio Bolsonaro (PL), sob pena de multa diária de R$ 500 mil.
A decisão foi motivada por ação da campanha de Lula, que apontou falhas reiteradas na entrega de postagens da coligação na plataforma.
Em 16 de outubro, a Meta afirmou que não toma partido em nenhuma eleição e reconheceu que a conta da campanha de Lula foi suspensa por engano, além de alguns incidentes técnicos que afetaram ambas as campanhas. A empresa explicou que uma “lacuna” nas proteções da ferramenta de inteligência artificial resultou em favorecimento temporário a Flávio Bolsonaro, sem intenção política.
Também foi informado que a suspensão da conta de anúncios da campanha de Lula aconteceu por questões relacionadas às regras rígidas brasileiras para conteúdo digital e durou pouco mais de uma hora, sem bloqueio das páginas oficiais da campanha no Facebook e Instagram.
A Meta admitiu ainda uma falha global no Gerenciador de Anúncios em 9 de outubro, causada por atualização de código, que afetou temporariamente a criação de anúncios a partir de publicações feitas no Instagram, incidente que não foi restrito ao Brasil.
Relatos internos e alegações sobre a Meta AI
O jornal Folha de S. Paulo teve acesso a diálogos internos da Meta em que funcionários reconhecem que as restrições prejudicaram as contas de Lula, com um deles afirmando que a conta do presidente à reeleição estava “limitada” em comparação à de Flávio Bolsonaro, o que seria negativo diante da possibilidade de ação judicial.
Além disso, usuários da Meta AI no WhatsApp relataram que a ferramenta se recusa a gerar imagens de campanha para Lula, enquanto aceita para Flávio Bolsonaro. A Meta informou que, para atender às regras eleitorais, suspendeu temporariamente a capacidade da Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil. Segundo a empresa, o incidente foi resultado de uma falha específica e não de viés político.