60 países assinam declaração contra cobrança de pedágio em rotas marítimas estratégicas
Naçãoes se comprometem a garantir liberdade de navegação e rejeitam tarifas no Estreito de Ormuz, em meio ao conflito EUA-Irã.
Sessenta países, entre eles integrantes da União Europeia, Austrália, Japão e Reino Unido, apoiaram uma declaração conjunta se comprometendo a preservar a liberdade de navegação e a se opor à imposição de pedágios em estreitos utilizados para a navegação internacional.
A iniciativa ocorre no contexto das tensões decorrentes do conflito entre Estados Unidos e Irã, que começou em 2026 e gerou especulações sobre a cobrança de tarifas para passagem pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A primeira especulação sobre um pedágio surgiu em abril passado, um mês após o início da guerra. Em julho, o então presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um bloqueio militar aos portos iranianos e afirmou que Washington cobraria um tributo de 20% sobre a carga de todas as embarcações que cruzassem a região, embora tenha recuado dessa proposta no dia seguinte.
No mesmo mês, Irã e Omã iniciaram negociações para uma gestão conjunta do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todas as exportações mundiais de petróleo. Contudo, essas discussões não avançaram concretamente.
Incidentes recentes na navegação
Apesar da declaração de que o abastecimento de petróleo voltou à normalidade pelo estreito, registros indicam a continuidade de ataques que comprometem o tráfego marítimo. No dia 10 de outubro, a Guarda Revolucionária do Irã reportou a explosão e incêndio de um petroleiro que teria atingido uma mina naval ao atravessar o estreito. Não foram revelados mais detalhes sobre a embarcação ou possíveis vítimas.
Dados da agência Reuters revelam que entre 28 de setembro e 5 de outubro ocorreram pelo menos 12 incidentes envolvendo navios transportadores de petróleo e gás na região, incluindo ataques e tentativas de ataque. A Organização Marítima Internacional (OMI), ligada à ONU, confirmou nove desses eventos no mesmo período.