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São Paulo

MP investiga tentativa de fuga do ex-secretário Renato Purini antes de prisão em operação contra fraude em licitação em Bauru

Renato Purini, ex-secretário e marido da prefeita de Bauru, é investigado pelo Ministério Público por comportamentos suspeitos antes de ser preso na Operação Cavalo de Troia.

19/10/2026 às 17h12

O Ministério Público (MP) apura se o ex-secretário de Governo e marido da prefeita de Bauru, Renato Purini, tentou escapar antes de ser preso durante a segunda fase da Operação Cavalo de Troia, que investiga uma suposta fraude na licitação da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos da cidade.

Documentos revelam que, na madrugada em que o mandado de prisão foi cumprido, Purini circulou de carro por ruas próximas à Prefeitura Municipal e à sede do Ministério Público. Além disso, ele trocou de aparelho celular logo após a primeira fase da operação, deflagrada em setembro.

Segundo o MP, o ex-secretário foi abordado e preso na Avenida Getúlio Vargas após sair de sua residência. Durante o acompanhamento das equipes policiais, Purini visitou sua casa e acompanhou os agentes até a Prefeitura, onde também foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Embora não tenha entrado nos estabelecimentos, seu comportamento está sendo investigado como uma possível tentativa de antecipar a atuação policial e dificultar as medidas legais.

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A Justiça manteve a prisão preventiva de Purini em decisão do desembargador Luiz Fernando Vaggione, proferida em 17 de outubro. A solicitação da defesa para que ele respondesse ao processo em liberdade foi negada, com o magistrado destacando a gravidade dos fatos apurados, incluindo indícios de organização criminosa, corrupção passiva e ativa, falsidade documental e fraude em licitações.

As investigações indicam que o ex-secretário teria usado o cargo público para interferir na licitação bilionária da concessão do serviço de coleta e gestão do lixo, contrato estimado em R$ 5,2 bilhões ao longo de 30 anos. Documentos e interceptações autorizadas indicam que ele monitorava e coagiu vereadores para aprovar um projeto de concessão que favoreceria a empresa Estre Ambiental. As mensagens revelam também que Purini teria recebido vantagens financeiras indevidas por meio de intermediários para compactuar com o esquema.

Além de Purini, outras pessoas estão envolvidas, como a então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, que supostamente mantinha um relacionamento com o CEO da Estre Ambiental, permitindo favorecimento da empresa dentro da administração municipal.

Em relação às medidas cautelares, a ex-funcionária da Estre, Talita Andrade, teve a prisão convertida em domiciliar, conforme decisão judicial motivada por questões de saúde e familiares.

A Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), busca desarticular o esquema criminoso que inclui direcionamento da licitação e pagamento de propinas envolvendo agentes públicos e particulares em Bauru.

Por fim, o Ministério Público segue investigando novos desdobramentos e possíveis outros envolvidos no esquema para assegurar a responsabilização de todos os envolvidos.

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