Itália reforça segurança em Milão com envio de 500 soldados após protestos violentos
Governo italiano prepara pacote de medidas após saques e confrontos no centro de Milão que resultaram em dezenas de prisões.
A Itália anunciou o envio de 500 soldados para reforçar a segurança em Milão depois de duas noites consecutivas de protestos violentos que deixaram lojas saqueadas e geraram confrontos com a polícia na capital financeira do país. A decisão foi divulgada no dia 19 de outubro de 2026 pelo vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, integrante do partido Liga, sendo parte de um pacote de medidas de segurança que deverá ser aprovado pelo Conselho de Ministros na terça-feira seguinte.
As manifestações ocorreram nos dias 17 e 18 de outubro, motivadas por reclamações sobre a precariedade dos serviços públicos e pelo aumento do custo de vida. Durante os protestos, centenas de manifestantes encapuzados atearam fogo a lixeiras e saquearam estabelecimentos comerciais, como as lojas de artigos esportivos Decathlon e Arc’teryx, além de uma unidade da operadora de telefonia Vodafone, todas localizadas no centro da cidade.
A polícia reagiu com uso de gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter os manifestantes. Ao todo, 271 jovens foram detidos, entre os quais 32 sofreram prisão preventiva, incluindo 23 menores de idade e 13 estrangeiros. Outras 28 pessoas foram denunciadas judicialmente. Após os tumultos, a presença policial foi intensificada, especialmente na Praça do Duomo, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Milão, onde viaturas e agentes com escudos permaneceram em alerta para evitar novos episódios de violência.
Além do reforço militar, o governo italiano discute ampliar a legislação de detenção preventiva para adolescentes suspeitos de planejarem atos violentos antes de manifestações públicas, numa tentativa de evitar futuros confrontos. Essa legislação foi aprovada recentemente e permite a prisão antecipada de suspeitos que representem risco à ordem pública.
Os distúrbios em Milão têm semelhanças com as manifestações que ocorreram na França, quando protestos contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos resultaram em confrontos e saques em diversas cidades.