Cidades francesas, incluindo Paris, decretam toque de recolher após protestos violentos
Medida visa conter violência e saques em protestos que ocorrem há um mês em várias cidades da França.
Na segunda-feira (19), a capital francesa Paris e outras cidades da França implementaram toques de recolher devido à onda de protestos que vem tomando o país há aproximadamente um mês. A iniciativa busca evitar novos confrontos violentos e saques registrados em manifestações recentes.
Em Paris, a circulação está proibida das 22h desta segunda até as 6h da manhã de terça-feira nas áreas da Place de la République e arredores do bairro Les Halles. No horário de Brasília, essa restrição vale das 17h de segunda-feira à 1h de terça-feira.
Além da capital, as cidades de Lille, Douai, Wattignies e Denain, localizadas no noroeste da França, também aplicaram o toque de recolher, que vigora das 20h às 6h durante as próximas duas noites, conforme determinação das prefeituras locais.
O pedido para que prefeitos adotassem tal medida foi feito pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, como resposta aos protestos que tiveram episódios violentos na última semana.
Contexto dos protestos
As manifestações começaram como protestos estudantis e conquistaram o apoio de sindicatos e outros grupos contra o aumento do custo de vida e dos preços dos combustíveis. Nos últimos dias, os protestos se intensificaram e tiveram consequências violentas, incluindo saques em pequenos comércios e incêndios em prédios públicos.
Somente no fim de semana, no sábado, 2.400 pessoas foram detidas em meio às ações nas ruas. O país registrou uma das noites mais violentas dos últimos anos entre sábado e domingo, com mais de 500 mil pessoas em protesto em diversas cidades, resultando em um morto, mais de 500 policiais feridos e milhares de prisões, segundo dados oficiais do Ministério do Interior.
Reações e medidas governamentais
Na mesma segunda-feira, o governo francês realizou uma reunião de emergência para definir ações adicionais para conter os distúrbios. Em Paris, o Museu do Louvre ficou fechado após manifestantes bloquearem o acesso ao local em apoio às reivindicações estudantis e para denunciar o que classificam como “repressão policial”.
As autoridades municipais têm adotado o toque de recolher como recurso imediato para conter a violência nas ruas e diminuir os riscos para cidadãos e comerciantes locais.