Mãe denuncia diagnóstico errado de filha com transtorno associado ao Maníaco do Parque em Maceió
Adolescente foi tratada por dois anos e nove meses na rede pública com diagnóstico incorreto de transtorno de personalidade antissocial; nova avaliação indicou autismo.
Uma jornalista de Maceió, Thaís França, denunciou o diagnóstico equivocado dado à sua filha de 16 anos, que recebeu inicialmente um parecer de transtorno de personalidade antissocial (código F60.2 da CID-10), condição que ficou conhecida por ter sido atribuída ao criminoso Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque. Após cerca de dois anos e nove meses em atendimento na rede pública municipal, o diagnóstico foi revisto para autismo em nova avaliação especializada.
O Código F60.2 corresponde a transtorno de personalidade dissocial ou antissocial, que inclui termos como psicopático e sociopático na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora tenha sido associado a crimes graves em casos específicos, como o mencionado, o código não implica necessariamente que todos os diagnosticados apresentem comportamentos semelhantes.
Durante o período anterior, a adolescente passou por internações psiquiátricas e uso de diversos medicamentos. Segundo Thaís França, o acompanhamento anterior ocorreu sob responsabilidade de uma médica sem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em psiquiatria, o que significa que a profissional não poderia se apresentar publicamente como especialista na área.
De acordo com informações do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), não há registro de denúncia formal sobre o caso. O Cremal ressalta que o RQE é necessário para o reconhecimento oficial de especialização e que médicos sem esse registro devem atuar respeitando suas limitações técnicas e encaminhando casos complexos para especialistas.
Após a revisão do diagnóstico, a adolescente passou a ser atendida por uma psiquiatra com o RQE e por uma neuropsicóloga. A nova avaliação incluiu seis meses de observação domiciliar e concluiu que ela não possui transtorno de personalidade antissocial, mas sim autismo. A família está em processo de reduzir gradativamente o uso dos medicamentos sob supervisão médica.
O diretor da Associação Alagoana de Psiquiatria, Waldacir Cunha, enfatiza que médicos podem atender em áreas diversas desde que reconheçam seus limites e façam encaminhamentos adequados. Ele também orienta pacientes e familiares a verificarem a formação e a especialização dos profissionais no site do Conselho Regional de Medicina.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió declarou que os médicos da rede pública estão regularmente inscritos no Conselho Regional de Medicina e podem atender questões de saúde mental na atenção primária, desde que possuam capacidade técnica.