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Política

Pesquisa qualitativa sobre debate entre Lula e Flávio Bolsonaro aponta estratégias de campanha e repercussões eleitorais

Grupos focais destacaram acusações no debate e indicaram impressões divergentes sobre Lula e Flávio Bolsonaro para as campanhas finais.

19/10/2026 às 13h15

O debate entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band em 18 de outubro de 2026, evidenciou uma estratégia voltada para desconstrução do adversário, com foco em aumentar a rejeição, conforme revelam pesquisas qualitativas conduzidas durante o evento.

Ao contrário da expectativa de um confronto pautado por propostas concretas para o futuro do país, a disputa foi marcada por acusações mútuas, o que causou desencantamento entre os eleitores, sobretudo aqueles que permanecem indefinidos ou que não participaram do primeiro turno.

Percepções dos eleitores: segurança, clareza e postura

Conforme levantamento do instituto Quaest, Flávio Bolsonaro foi percebido pelos entrevistados como mais seguro, direto e claro, embora tenha sido criticado por evitar responder perguntas dirigidas a Lula e por fugir de temas nos quais aparentava menor preparo.

Leia também: Debate revela diferenças marcantes entre Lula analógico e Flávio Bolsonaro digital

Lula, por sua vez, foi avaliado como bem preparado para tratar de saúde, tema no qual apresentou respostas fundamentadas, mas consideradas confusas e carregadas de dados numéricos que dificultaram a compreensão geral.

As pesquisas qualitativas feitas pelas próprias campanhas trouxeram análises que se complementam:

  • Grupo focal da campanha de Flávio Bolsonaro indicou que Lula demonstrou nervosismo e irritação, com dificuldades para explanar suas propostas.
  • Por outro lado, a mesma pesquisa apontou que a postura de Flávio, posicionando-se atrás da câmera durante as falas do adversário, foi interpretada como ironia excessiva e arrogância, sugerindo a necessidade de maior didatismo em suas explicações.
  • Pesquisa encomendada por Lula ressaltou que ele aparentou cansaço e irritação, não dando respostas diretas às acusações e não conseguindo explicar claramente suas propostas.
  • Em relação a Flávio Bolsonaro, ele foi avaliado como artificial, excessivamente ensaiado e mecanizado, com ausência de respostas ao questionamento feito por Lula.

Impactos para as campanhas na reta final

Os resultados das pesquisas qualitativas influenciam as estratégias para a fase decisiva das eleições. A campanha de Lula prepara a exploração do desafio feito para que Flávio Bolsonaro quebre espontaneamente seus sigilos telefônico e bancário, trecho do debate que teve boa recepção nas análises qualitativas e que já tem sido usado em peças promocionais com a máxima popular “quem não deve, não teme”.

Em contraponto, a campanha de Flávio Bolsonaro planeja trabalhar o episódio no qual Lula o chamou de “malandro carioca”, considerando a expressão como preconceituosa. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), gravou vídeo manifestando defesa dos nascidos no Rio de Janeiro em resposta à fala do adversário.

Visão da imprensa internacional sobre o debate

Além dos eleitores e das campanhas, a imprensa internacional avaliou o debate como “caótico” e “tenso”, reforçando a impressão de um confronto marcado por tensões e falta de aprofundamento em temas como o ajuste fiscal, que ficaram de fora das discussões.

Assim, fica evidenciado um desafio conjunto para ambos os candidatos: conquistar o eleitorado com propostas consistentes enquanto mantêm uma postura estratégica que evite a rejeição provocada pelo excesso de ataques pessoais e falta de clareza.

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