Resultados do 3º trimestre de 2026 apontam queda no lucro de mineradoras e siderúrgicas com pressão de preços e custos
Preços baixos do minério de ferro e aumento dos custos em aço impactam negativamente o desempenho financeiro de principais empresas do setor.
O terceiro trimestre de 2026 mostra perspectivas desafiadoras para o setor de mineração e siderurgia no Brasil, com queda nos lucros das principais empresas devido à forte pressão dos preços do minério de ferro e aos maiores custos operacionais. A commodity atingiu recentemente níveis mínimos, refletindo preocupações com a demanda chinesa deprimida e o aumento da oferta global, fatores que devem influenciar diretamente os resultados financeiros das companhias.
Impactos nas mineradoras
A Vale (VALE3), segundo projeções do Itaú BBA, deve registrar queda de 14% no Ebitda proforma para US$ 3,502 bilhões no trimestre, com principal impacto vindo da divisão de ferrosos, que deve ter retração de 13%, com Ebitda estimado em US$ 2,66 bilhões. A redução acompanha a baixa aproximada de 7% no preço realizado do minério de ferro, que atingiu US$ 88 por tonelada. Além disso, o aumento dos custos de frete deverá neutralizar os ganhos esperados pelo aumento de embarques em 4%.
Na divisão de metais básicos, o Ebitda deve cair 19%, para US$ 1,04 bilhão, em respeito a menores volumes de cobre devido à parada da mina Sossego, preços reduzidos do níquel e custos maiores de manutenção. Avaliações do Safra e JPMorgan corroboram essa visão, destacando os elevados custos C1 de produção e volumes menores.
Para a CSN Mineração (CMIN3), a expectativa é de um dos resultados mais pressionados, com projeção do Itaú BBA indicando queda de 54% no Ebitda trimestral, para R$ 469 milhões. Essa queda se deve à queda do preço médio do minério de ferro para US$ 38,9 por tonelada FOB, queda nos volumes e aumento do custo caixa C1 para US$ 26 por tonelada.
Performance das siderúrgicas
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, CSNA3) deve apresentar Ebitda de R$ 1,922 bilhão, queda de 31% no trimestre, com margem de 19,1%, frente a 24,5% no período anterior. No segmento de aço, espera-se retração de 17% no resultado operacional, em função do aumento de 3% nos custos por tonelada, que mais do que compensa o crescimento de 2% nos volumes vendidos no mercado doméstico. A operação de mineração da empresa deve sofrer queda de aproximadamente 50% no Ebitda devido a preços e volumes menores e a maiores despesas de frete.
O JPMorgan enfatiza que a divisão de mineração deverá pressionar negativamente o resultado consolidado da CSN, enquanto o negócio de aço também sofre retração por conta da priorização do volume em detrimento do valor, em meio à elevação dos custos operacionais.
Para a Usiminas (USIM5), a previsão é de queda de 10% no Ebitda, para R$ 619 milhões, com leve recuo de 2% no segmento de aço para R$ 608 milhões, em virtude do aumento de custos por tonelada que neutraliza os incrementos de preços e volumes. A operação de mineração deve registrar um resultado negativo, com Ebitda projetado em R$ 11 milhões, afetada por fechamento parcial da capacidade produtiva e custos maiores.
Resultados positivos em nichos específicos
Em contraste, a Aura Minerals (AURA33) pode apresentar aumento de 9% no Ebitda para US$ 213 milhões, impulsionado por crescimento de 15% nos volumes produzidos de ouro e redução do custo caixa para US$ 1.450 por unidade equivalente de ouro.
Já a Gerdau (GGBR4) deve ter avanço de 6% no Ebitda, contabilizando R$ 3,65 bilhões, com destaque para a operação na América do Norte que terá margem Ebitda prevista em 27,8%, beneficiada pelo aumento da receita por tonelada em dólar, mesmo com queda nos embarques devido à manutenção da usina. A operação brasileira deve se manter estável em margem, porém enfrentando custos maiores e volumes menores.
Assim, o cenário do terceiro trimestre de 2026 no setor de mineração e siderurgia brasileiro reflete a complexidade do momento, com desvalorização das commodities, elevação dos custos e desafios operacionais que condicionam os resultados das principais empresas nos mercados doméstico e internacional.