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Paraná

Cheia histórica de 2014 nas Cataratas do Iguaçu teve vazão 30 vezes maior que a média

Em junho de 2014, uma das maiores cheias registradas nas Cataratas do Iguaçu alcançou vazão recorde de 46 milhões de litros por segundo.

19/10/2026 às 11h10

Imagens registradas em junho de 2014 evidenciam uma das maiores cheias já medidas nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, oeste do Paraná. Na ocasião, a vazão alcançou cerca de 46 milhões de litros por segundo, superando em 30 vezes a média histórica do rio, que é de aproximadamente 1,5 milhão de litros por segundo.

O vídeo mostra a água ultrapassando e quase encobrindo totalmente a passarela pelas quais os turistas observam as quedas. Apesar da força da correnteza, a passarela, construída nos anos 1990, permaneceu firme, com suas vigas e pilares de concreto intactos.

Estrutura resistente apoiada diretamente na rocha

A atual passarela foi edificada utilizando a técnica de estaca-raiz, na qual pilares são fixados diretamente na rocha do leito do Rio Iguaçu. Esse método consiste em perfurações profundas preenchidas com aço e cimento injetado sob pressão, garantindo uma fundação robusta capaz de resistir à forte pressão da água, mesmo em períodos de cheia elevada.

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Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pelas fundações, destaca que a escolha do método levou em conta a necessidade da estrutura suportar não apenas o peso da passarela e dos visitantes, mas também a pressão lateral do rio e o impacto de troncos e detritos transportados pela correnteza.

Histórico da construção e medidas de segurança

A passarela atual foi iniciada em 1992 após a estrutura anterior, instalada em 1970, ter sido destruída por uma cheia ocorrida na década de 1980. Para a construção, foi necessário um desvio temporário do curso do Rio Iguaçu, realizado a alguns quilômetros das quedas, para permitir que o leito ficasse seco para a instalação das fundações.

Como medida preventiva, as grades metálicas de proteção da passarela são retiradas antes da ocorrência de cheias significativas, para evitar o acúmulo de galhos e troncos e reduzir a resistência à passagem da água. A reabertura ao público só acontece após uma vistoria estrutural e com a vazão do rio abaixo de 8 milhões de litros por segundo.

Monitoramento da estabilidade da passarela

A concessionária Urbia+Cataratas realiza inspeções periódicas utilizando equipamentos de alta precisão que monitoram eventuais deslocamentos milimétricos nos pilares da passarela. Os dados mostram que, desde o início do monitoramento, nenhum deslocamento significativo foi detectado, incluindo após episódios de cheia.

Além das avaliações periódicas, a reabertura após uma cheia depende da emissão de um laudo por engenheiro estrutural que avalia a integridade dos pilares e componentes da estrutura. Estas medidas garantem a segurança dos visitantes mesmo diante das variações extremas da vazão do Rio Iguaçu.

Recentemente, em outubro de 2026, a vazão do rio voltou a subir e ultrapassou 15 milhões de litros por segundo, mais de dez vezes a média, levando à retirada preventiva das grades da passarela, reforçando o protocolo de segurança já adotado em situações semelhantes.

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