Ministério Público denuncia Tito Barichello e Tathiana Guzella por operação policial sem autorização
Deputado e vereadora foram acusados de abuso de autoridade ao realizar ação policial enquanto estavam afastados da função.
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou o deputado estadual Tito Barichello e sua esposa, a vereadora Tathiana Guzella, por terem realizado uma operação policial em março de 2024 sem o conhecimento ou autorização da Polícia Civil. Na época, ambos estavam afastados da função de delegados da Polícia Civil, pois exerciam mandatos políticos.
Durante a operação, um vídeo foi divulgado em um canal de televisão e nas redes sociais mostrando a tentativa de cumprimento de um mandado de prisão contra um homem. Nas imagens, Tito Barichello aparece armado com um fuzil e vestindo um colete à prova de balas com símbolo da Polícia Civil. Tathiana Guzella também surge com colete à prova de balas da mesma instituição.
Na gravação, Tito afirmou que buscavam o cumprimento de um mandado relacionado à tentativa de homicídio contra um advogado de Curitiba, embora o mandado original fosse por descumprimento de medida protetiva de urgência em caso de violência doméstica. O MP apontou que houve associação indevida da ação com um homicídio na divulgação das imagens.
O Ministério Público do Paraná considera que Tito Barichello, Tathiana Guzella e outro policial civil cometeram abuso de autoridade ao utilizarem a função policial para promoção pessoal com finalidade eleitoral. O deputado e o terceiro envolvido também respondem por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito ao utilizarem o fuzil sem autorização para a operação.
Após o episódio, Tathiana Guzella concorreu nas eleições municipais e foi eleita vereadora de Curitiba pelo Partido Liberal (PL) com 12.515 votos, sendo a mulher mais votada entre as 12 eleitas.
A Polícia Civil informou ter conduzido o inquérito policial que resultou no indiciamento dos envolvidos e na fundamentação da denúncia do Ministério Público. Contudo, ressaltou que não possui competência para instaurar processo disciplinar contra os denunciados, pois estavam afastados da corporação para exercer mandato político ou assessoria parlamentar.
Em nota, Tito Barichello e Tathiana Guzella afirmaram que confiam na Justiça e que a apresentação da denúncia não representa condenação. Destacaram que os fatos serão submetidos a apreciação judicial com direito ao contraditório, ampla defesa e presunção de inocência, e reafirmaram seu compromisso com a legalidade, ética e respeito às instituições.
A Justiça concedeu 15 dias para que os denunciados apresentem resposta preliminar à denúncia, conforme previsto em lei para crimes praticados por agentes públicos.