Isabel Teixeira conta sobre diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni, que eleva risco hereditário de câncer
A atriz Isabel Teixeira revelou em 2026 que foi diagnosticada com síndrome de Li-Fraumeni, condição genética que aumenta a predisposição ao câncer.
A atriz Isabel Teixeira revelou em 2026 que foi diagnosticada com a síndrome de Li-Fraumeni, uma condição genética hereditária que aumenta a predisposição ao desenvolvimento de câncer. A descoberta aconteceu em 2019 após o histórico de câncer na família, incluindo a mãe e a avó da atriz, que faleceram da doença.
A síndrome está associada a uma alteração no gene TP53, que codifica uma proteína essencial para proteger o organismo contra o crescimento descontrolado de células, funcionando como um “guardião” contra tumores. A mutação nesse gene compromete essa defesa natural, elevando o risco, embora não determinando que todos com tal alteração desenvolverão câncer.
Após o diagnóstico, Isabel adotou novos hábitos para cuidar da saúde, como parar de fumar, abandonar o consumo de álcool e praticar atividades físicas regularmente. Também optou pela remoção preventiva das mamas para reduzir o risco relacionado à síndrome.
Isabel realizou exames genéticos em seus filhos, com resultados diferentes: seu filho não apresentou a alteração genética, enquanto sua filha testou positivo para a síndrome. A filha, por sua vez, incorporou um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada e prática de exercícios, mostrando mais atenção à saúde, mas sem sentir-se diferente das outras crianças.
A síndrome de Li-Fraumeni pode atravessar gerações dentro de uma família, tornando crucial o levantamento do histórico familiar de câncer para orientar testes genéticos e acompanhamento médico. No Brasil, estudos indicam que uma variante genética relacionada à síndrome está disseminada, possivelmente desde o século 18, quando um tropeiro europeu deu origem a descendentes que ajudaram na disseminação da alteração.
Regiões como o Sul e Sudeste do país apresentam maior concentração da síndrome, com casos notáveis de tumores de adrenal, câncer ligado à condição. Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (Inca) analisam mais de 100 mil amostras do teste do pezinho para mapear a extensão da mutação genética na população brasileira.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico rigoroso são fundamentais para melhorar o prognóstico de pacientes com a síndrome. Exemplos como o de Andréa, que desde a infância enfrentou múltiplos tumores e passou a realizar exames regulares, mostram que o controle pode impedir o avanço da doença.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento no Hospital das Clínicas da USP, onde é possível iniciar a investigação genética a partir de questionamentos na atenção básica. Ainda assim, o acesso a testes e acompanhamento pode ser limitado, já que o exame pode custar cerca de R$ 300 em determinados locais.
Desde 2023, o Ministério da Saúde trabalha em ampliar o diagnóstico e tratamento de doenças raras e genéticas pelo SUS, facilitando o atendimento e ampliando o acesso a exames e medicamentos.
Para Isabel, conhecer a predisposição genética foi um choque, mas serviu para transformar os cuidados com a saúde e a prevenção. Ela ressalta que a informação não determina um destino inevitável, mas possibilita escolhas e acompanhamento que podem alterar o curso da vida.