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São Paulo

Tecnologia de escaneamento 3D do Coliseu é usada para preservar o Museu do Ipiranga em São Paulo

Equipamento importado da Itália cria modelo digital do Museu do Ipiranga para monitoramento estrutural e prevenção de danos.

19/10/2026 às 00h28

Pesquisadores brasileiros realizam monitoramento estrutural do Museu do Ipiranga, em São Paulo, usando tecnologia de escaneamento a laser em 3D aplicada no Coliseu, em Roma. A iniciativa tem o objetivo de preservar o edifício histórico inaugurado em 1895 sem interromper a visitação pública.

O trabalho foi realizado entre setembro e outubro de 2026 por uma equipe italiana da Universidade de Ferrara, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), que mantém colaboração de 20 anos com a instituição italiana. O equipamento portátil utilizado registra coordenadas com precisão de milímetros para capturar desníveis, variações de umidade e presença de mofo nas paredes e estruturas.

A tecnologia permite criar um modelo digital tridimensional — conhecido como “gêmeo digital” — para comparação das condições atuais do prédio com um levantamento feito em 2017, antes da reforma que deixou o museu fechado por nove anos. Esse modelo, fruto do processo denominado HBIM (Modelagem de Informação da Construção Histórica), facilita a identificação preventiva de problemas e a simulação dos efeitos de eventos climáticos extremos.

Segundo o professor Marcello Balzani, da Universidade de Ferrara, especialista envolvido no projeto, a tecnologia precisa do conhecimento humano para interpretar os dados e garantir resultados confiáveis: “O scanner não faz nada sozinho. O diferencial está na capacitação técnica de quem interpreta os dados e extrai sentido daquelas informações. Quem dá o laudo médico é o médico, e não a máquina.”

O Museu do Ipiranga é reconhecido como patrimônio histórico municipal, estadual e federal e abriga um acervo de mais de 450 mil itens, incluindo a icônica pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo. O uso desta tecnologia inovadora contribui para a preservação do prédio e do acervo para futuras gerações, garantindo o acesso seguro do público enquanto as condições estruturais são cuidadosamente monitoradas.

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