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Santa Catarina

Nova NR-1 exige atenção à saúde do trabalhador no home office

Atualização da Norma Regulamentadora amplia gestão de riscos ocupacionais e inclui trabalho remoto na avaliação da saúde

18/10/2026 às 12h38

Desde maio de 2026, entrou em vigor a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia as exigências para o gerenciamento dos riscos à saúde dos trabalhadores nas empresas brasileiras. Uma das principais mudanças dessa atualização inclui a obrigatoriedade de considerar os fatores psicossociais e as condições do trabalho remoto, híbrido e teletrabalho.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a norma agora exige que as empresas não apenas realizem ações pontuais, mas que implementem um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) que identifique riscos, defina medidas preventivas, registre as ações e acompanhe seus resultados. No período inicial de 90 dias da fase punitiva, as fiscalizações adotam o critério de dupla visita: a primeira para orientar e a segunda para autuação caso as irregularidades não sejam corrigidas.

Com a extensão do alcance da NR-1 ao trabalho remoto, as empresas precisam avaliar as condições do ambiente onde o funcionário realiza suas atividades em casa. Embora a norma não transforme a residência em extensão física do escritório, ela determina que os riscos relacionados ao espaço e aos equipamentos utilizados sejam gerenciados, envolvendo áreas como Recursos Humanos, segurança do trabalho e facilities para orientar os trabalhadores e monitorar as estações de trabalho remotas.

Ergonomia e adaptação do ambiente de trabalho

A ergonomia tem papel fundamental ao ampliar a saúde ocupacional para o trabalho em home office. A estação de trabalho deve ser adaptada às características do trabalhador, considerando aspectos como postura adequada, posicionamento dos equipamentos, cadeira e pausas durante a jornada.

Muitas vezes, o trabalhador remoto fica várias horas em uma posição inadequada, utilizando mobiliário não projetado para sua atividade, o que pode causar desconforto e riscos à saúde. Mesas com altura fixa podem não atender a diferentes estaturas e proporções corporais, o que dificulta a manutenção da postura correta.

Embora a NR-1 não exija a compra de mesas com regulagem de altura ou modelos específicos de mobiliário, essa atualização aproxima a gestão dos riscos das disposições da Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), que prevê adaptação das condições de trabalho às características dos trabalhadores. Por isso, avaliações ergonômicas preliminares podem identificar adequações necessárias, incluindo o uso de mesas ajustáveis para diferentes usuários ou para alternar posições sentadas e em pé.

Demanda crescente por infraestrutura adequada

A procura por mobiliário ergonômico com regulagem de altura tem aumentado, refletindo a pressão regulatória e a busca das empresas por estações de trabalho adequadas para colaboradores em regimes híbrido ou remoto. Conforme Thiago Marcos Nahas, da empresa catarinense Slikdesk, especializada em mesas com regulagem elétrica e manual, cadeiras de escritório e acessórios ergonômicos, a ergonomia deixou de ser vista como um benefício para se tornar uma obrigação.

Especialistas recomendam que a revisão das estações de trabalho inclua itens como cadeiras ajustáveis, apoio para os pés, altura adequada do monitor e possibilidade de alternar as posições de trabalho para reduzir riscos.

A atualização da NR-1 traz, assim, uma nova dimensão à saúde laboral, destacando que o local de trabalho, seja no escritório ou em casa, deve ser pensado para se adaptar ao trabalhador, visando conforto, segurança e prevenção de desconfortos ou doenças ocupacionais.

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