Posto de combustível citado em investigação recebeu mais de R$ 37 milhões da Prefeitura de Belford Roxo desde 2012
Estabelecimento vinculado a sócio de Márcio Canella teve sete contratos com a prefeitura e é alvo de apuração na Operação Unha e Carne.
O posto de gasolina São Sebastião, localizado em Belford Roxo, recebeu mais de R$ 37 milhões em pagamentos da Prefeitura local desde 2012, conforme apuração da Polícia Federal que integra a investigação da Operação Unha e Carne. A operação, deflagrada na última quinta-feira, investiga um esquema suspeito de lavagem de dinheiro com movimentação estimada em R$ 7,6 bilhões.
Embora citado no inquérito que levou à prisão do ex-prefeito e deputado estadual Márcio Canella, o posto não foi alvo direto da operação. Segundo a Polícia Federal, o estabelecimento fez depósitos superiores a R$ 10 milhões em dinheiro vivo, sinais compatíveis com ocultação de valores. O posto pertence a Bruno Viana de Souza, sócio de Canella em outra empresa, a Brumar Empreendimentos. A investigação apura se recursos públicos desembolsados pela prefeitura retornavam ao grupo político via essa estrutura.
Contratos e pagamentos da Prefeitura
Foram identificados sete contratos da Prefeitura de Belford Roxo com o posto São Sebastião, totalizando cerca de R$ 20 milhões, valor inferior aos R$ 37 milhões pagos de acordo com registros públicos. Um desses contratos foi assinado em novembro de 2025, quando Márcio Canella ainda exercia o mandato de prefeito, pouco antes de renunciar para concorrer à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O últimodos contratos analisados foi firmado dois dias após Canella assumir o cargo de deputado estadual, já na gestão da sua sucessora na prefeitura, Mariana Malta, que não foi alvo da operação. Segundo a Polícia Federal, Canella fez um pagamento de R$ 50 mil à prefeita, que a administração municipal esclareceu tratar-se de diversos pagamentos menores para reembolsos de despesas pessoais.
Posicionamento da Prefeitura e das defesas
A Prefeitura de Belford Roxo informou que realizará auditorias internas em todos os contratos firmados com o posto e justificou que o estabelecimento é contratado desde antes do governo de Canella, acrescentando que nenhuma outra empresa demonstrou interesse nas licitações posteriores. A administração negou o depósito de R$ 50 mil mencionado pela Polícia Federal, atribuindo os pagamentos a reembolsos de custos como alimentação e passagens.
Até a publicação, não houve retorno das defesas de Márcio Canella, da prefeita Mariana Malta nem do proprietário Bruno Viana de Souza. A Operação Unha e Carne prossegue nas investigações para apurar possíveis conexões entre o dinheiro público e o esquema investigado.