Provedores de internet em Alcântaras, Ceará, têm lojas vandalizadas e recebem ameaças de facção criminosa
Criminosos picharam estabelecimentos de provedores de internet exigindo que deixem a região, sob ameaça de incêndio; polícia investiga caso e reforça segurança.
Na madrugada desta sexta-feira (16), duas lojas de provedores de internet em Alcântaras, município do interior do Ceará, foram vandalizadas por criminosos, que picharam ameaças nas fachadas dos estabelecimentos. O caso teve parte da ação registrada por câmeras de segurança, que mostraram dois homens pichando mensagens e danificando o portão com chutes.
As inscrições feitas pelos autores continham ameaças claras para que os provedores saíssem do local em até 24 horas, sob risco de terem suas lojas incendiadas. Também foram encontradas siglas relacionadas à facção criminosa Comando Vermelho, que atua na região.
Extorsão e cobranças ilegais
Empresários do ramo relataram que criminosos estariam exigindo o pagamento mensal de taxas que chegam a R$ 4 mil para autorizar o funcionamento dos provedores na cidade. Segundo as denúncias, essas cobranças dificultam significativamente a operação das empresas na região.
As vítimas suspeitam que as empresas alvo dos ataques tenham se recusado a pagar esses valores, o que motivou as agressões. Além das cobranças, há relatos de impedimento direto das atividades dos provedores por parte dos criminosos.
Reação das autoridades
A Secretaria da Segurança do Ceará informou que, mesmo sem confirmação oficial da ligação direta entre os ataques e as cobranças, reforçou o policiamento na região. O caso está sob investigação da Polícia Civil e dos órgãos de inteligência estaduais.
Desde julho de 2025, operações das forças de segurança resultaram na prisão de cerca de 100 pessoas suspeitas de envolvimento em crimes contra empresas de internet no estado. As prisões ocorreram com base em mandados de prisão ou em flagrante.
O Ceará tem registrado uma série de ataques do Comando Vermelho contra o setor de internet. Em 2025, houve um aumento significativo de ações criminosas motivadas pela disputa sobre o pagamento de taxas de extorsão. A atual onda de ataques persiste em 2026, conforme demonstrou um caso recente de vandalismo em Icapuí, no litoral do estado.