Onça-pintada Theodoro é resgatada após 3 horas na margem de rodovia no interior de São Paulo
Felino monitorado há cinco anos no Parque Estadual do Morro do Diabo foi devolvido à mata com apoio de força-tarefa.
Uma onça-pintada conhecida como Theodoro, monitorada desde 2021 pelo programa Monitora Bio SP, foi resgatada após ser avistada às margens da Rodovia Arlindo Béttio (SP-613), em Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo. A operação para conduzí-la de volta à área de mata durou cerca de três horas.
O felino foi reconhecido por suas manchas singulares, as chamadas rosetas, que funcionam como uma impressão digital exclusiva. A diretora de biodiversidade da Fundação Florestal, Andréa Pires, explicou que o resgate foi realizado sem contenção química, respeitando o ritmo do animal, que aparentava cansaço. Durante o trajeto de retorno à mata, Theodoro pausou três vezes, e em um desses momentos, precisou ser auxiliado pela equipe que abriu o alambrado mais próximo para facilitar sua passagem.
Theodoro reside no Parque Estadual do Morro do Diabo e percorre grandes distâncias diariamente, algumas estimadas em mais de 40 quilômetros em cerca de 20 horas, conforme dados obtidos por aproximadamente 40 armadilhas fotográficas instaladas na região. O macho adulto foi batizado em homenagem ao geógrafo Teodoro Fernandes Sampaio, cujo nome também denomina a cidade onde o parque está localizado.
O Monitora Bio SP é um programa que, desde 2021, realiza monitoramento não invasivo da fauna, utilizando armadilhas fotográficas espalhadas pela mata para registrar espécies de mamíferos de médio e grande porte e outras formas de vida silvestre. O objetivo é acompanhar tendências da fauna e subsidiar ações de conservação efetivas.
Além do registro de Theodoro, o programa identificou cinco novas onças-pintadas na região nos últimos três anos, indicando o nascimento continuado da espécie no Pontal do Paranapanema. Também foram captadas imagens do cachorro-vinagre, animal raro conhecido como “fantasminha da mata”, e confirmadas presenças de espécies ameaçadas, como o cervo-do-pantanal e o lobo-guará.
O monitoramento inclui áreas ao entorno do parque onde a presença dos felinos foi informada por trabalhadores rurais, permitindo ações educativas com a população local para prevenir conflitos e promover a convivência com a fauna silvestre.