Donald Trump propõe renomear ‘inteligência artificial’ para ‘superinteligência’ em documentos oficiais dos EUA
Presidente dos EUA defende mudança do termo "inteligência artificial", hoje usado há cerca de 70 anos, alegando que o nome atual soa "como se fosse falso".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que deseja substituir o termo “inteligência artificial” pelo nome “superinteligência” nos documentos oficiais do país e, idealmente, de outras nações. A proposta foi feita publicamente durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, quando afirmou que o termo atual “faz soar como se ela fosse falsa”.
Essa ideia de alteração do nome surge em um contexto de mais de 70 anos de uso consolidado do termo “inteligência artificial” na comunidade científica mundial, que data desde 1955, quando foi formalmente criado por pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester.
Antes de decidir pelo termo “superinteligência”, Trump chegou a realizar enquetes em sua rede social Truth Social para escolher entre opções como “Inteligência Superior”, “Inteligência Extrema” e “Inteligência Suprema”. Posteriormente, afirmou que consideraria “inimigos” aqueles que continuassem a usar o termo “inteligência artificial”.
Especialistas veem motivações políticas e alertam sobre impactos
Anderson Soares, especialista brasileiro considerado influente no campo da inteligência artificial, avaliou que a proposta de mudança tem um teor mais político e estratégico do que técnico ou científico. Ele destacou que o próprio conceito de inteligência não possui uma definição consensual nas ciências, e que o objetivo da mudança parece mais um contraponto à agenda de regulação e limitação da IA do que uma contribuição construtiva para a área.
O professor Cleber Zanchettin, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ressaltou que a maior parte da população ainda tem pouco conhecimento sobre a tecnologia, e que usar o termo “superinteligência” pode aumentar o medo e a rejeição ao avanço da IA. Pesquisas recentes indicam que mais da metade dos brasileiros e cerca de 90% dos americanos demonstram preocupação em relação à possibilidade de a inteligência artificial superar a humana.
Para Allan Pscheidt, professor e pesquisador, a iniciativa de Trump tem caráter simbólico, demonstrando poder e soberania dos EUA na disputa global pelo desenvolvimento de tecnologias avançadas, similar à corrida espacial do século XX. Atualmente, a disputa ocorre na área da AGI (Inteligência Artificial Geral).
Histórico e evolução do termo “inteligência artificial”
O termo “inteligência artificial” foi cunhado com o objetivo de diferenciar o campo das pesquisas de máquinas racionais do estudo da cibernética, termo criado por Norbert Wiener para se referir a sistemas que usam informações para ajustar seu funcionamento. A pesquisa sobre máquinas capazes de pensar remonta às décadas de 1940 e 1950, com trabalhos pioneiros do matemático Alan Turing.
Ao longo das décadas, a IA passou a integrar o cotidiano em aplicações como reconhecimento facial em bancos, veículos semi-autônomos, drones, assistentes virtuais e câmeras de smartphones. A partir de 2017, a IA generativa, com ferramentas como o ChatGPT, ampliou significativamente as possibilidades da tecnologia.
Reflexão sobre aceitação da tecnologia
Anderson Soares aponta que a trajetória das tecnologias costuma seguir um padrão: inicialmente geram medo e desconfiança, depois passam pela aceitação e encantamento, até que, com o tempo, tornam-se parte comum da vida e deixam de parecer extraordinárias.