Centrão articula mudanças no sistema eleitoral para frear avanço do PL na Câmara
Partidos do Centrão buscam acordo para alterar modelo eleitoral e conter crescimento expressivo do PL nas eleições legislativas.
Partidos que compõem o Centrão estão buscando acelerar as discussões sobre uma possível mudança no sistema eleitoral brasileiro ainda em 2026. O principal objetivo é conter o crescente avanço do Partido Liberal (PL), que aumentou significativamente sua bancada na Câmara dos Deputados e no Senado após as eleições recentes.
O resultado eleitoral colocou o PL, do senador Flávio Bolsonaro (RJ), com 121 deputados para a próxima legislatura, o que representa sua maior representação desde 1988. Este crescimento tem causado preocupação entre os partidos do Centrão, que perderam cadeiras para o PL, incentivando uma mobilização para reformular o sistema proporcional vigente, que atualmente distribui vagas em função da votação obtida pelos partidos.
Nesta lógica, deputados com votações expressivas, como Nikolas Ferreira (PL-MG), acabam beneficiando colegas de outras siglas, por meio da chamada “puxação” de votos. Líderes do Centrão consideram essa dinâmica como estimuladora de uma “indústria de candidatos” e buscam modelos alternativos para diminuir essa influência.
Reuniões recentes, incluindo um encontro entre presidentes dos partidos do Centrão com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), discutiram esses temas. O apoio à reeleição de Motta na presidência da Casa foi confirmado, e as mudanças no sistema eleitoral foram abordadas no mesmo encontro.
Entre as propostas em debate estão o sistema distrital misto e o distritão. O distrital misto divide os estados em distritos eleitorais, onde metade das vagas seria preenchida pelos candidatos mais votados localmente, enquanto a outra metade seria distribuída de acordo com listas fechadas definidas pelos partidos. Esse modelo conta com um projeto de lei tramitando na Câmara.
Já o distritão, preferido por parte dos deputados e pelo Podemos, propõe eleições majoritárias, semelhante ao Senado, onde os candidatos mais votados são eleitos diretamente, eliminando a influência dos chamados “puxadores de votos”. No entanto, esse modelo enfrenta resistência dos dirigentes partidários devido a seu potencial de enfraquecer o poder das siglas e favorecer candidatos com grande popularidade pessoal.
Além da dificuldade técnica e política em chegar a um consenso interno no Centrão, destaca-se que essas mudanças exigiriam diferentes graus de aprovação legislativa, especialmente o distritão, que dependeria de uma proposta de emenda constitucional (PEC).
Para organizar e avançar nas negociações, está marcada para o final de outubro uma nova reunião com líderes partidários, incluindo o presidente da Câmara, visando consolidar as propostas e elaborar um texto base. Também há sinais de que o Senado e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), serão envolvidos desde o início, na tentativa de evitar que o projeto fique travado em uma das Casas, como já ocorreu em iniciativas anteriores sobre regras eleitorais.
Relator do projeto do distrital misto, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) deve participar das próximas discussões para ajudar a coordenar um consenso que possa ser levado adiante ainda nesta legislatura, considerando a expectativa de que a resistência do PL às mudanças aumente com sua bancada fortalecida em 2027.