Auxiliar de enfermagem em São Paulo é preso por extorsão de pacientes acamados com uso de PIX
Leonardo Normando Bueno dos Santos é investigado por extorsão, estelionato, furto e roubo contra pacientes em atendimento domiciliar.
Leonardo Normando Bueno dos Santos, auxiliar de enfermagem em São Paulo, foi preso preventivamente nesta sexta-feira (16) sob suspeita de extorquir pacientes acamados durante atendimentos domiciliares na capital paulista. A investigação da Polícia Civil identificou seis vítimas e aponta crimes de extorsão, estelionato, furto e roubo cometidos pelo profissional.
As investigações tiveram início após ocorrência em 23 de julho, quando um paciente com sequelas da Covid-19, acamado em seu apartamento na Vila Nova Conceição, relatou que o auxiliar teria exigido o desbloqueio do celular e dos aplicativos bancários sob ameaça de agressão. A vítima, que possuía mobilidade limitada apenas até os ombros, não conseguiu resistir, e o suspeito realizou diversas transações financeiras não autorizadas.
Registros policiais apontam oito transações via PIX realizadas entre a noite de 22 e a manhã do dia seguinte, totalizando R$ 8.362,15, além de outras tentativas que somaram R$ 2.206,46. Imagens de câmera de segurança no quarto da vítima mostram o auxiliar manuseando o celular.
Outro caso investigado envolve um comerciante de 60 anos em tratamento contra câncer, também acamado, que recebeu atendimento domiciliar do suspeito. No episódio, Leonardo solicitou reconhecimento facial e assinatura digital com justificativas burocráticas, não compatíveis com os protocolos da empresa de assistência domiciliar. Posteriormente, o paciente recebeu transações não autorizadas e, após um procedimento com o profissional, desmaiou, sendo encaminhado ao hospital onde permaneceu internado quatro dias. A esposa encontrou o auxiliar mexendo no celular enquanto o paciente estava desacordado.
A polícia verificou que o reconhecimento facial não integra os procedimentos da empresa, que informou que o prontuário deveria ser preenchido manualmente e atualizado no local de atendimento, o que não foi feito pelo profissional.
Padrão de atuação e modus operandi
De acordo com o inquérito policial, o suspeito atuava em domicílios de pacientes idosos ou com doenças incapacitantes, utilizando empresas de assistência domiciliar por meio de cooperativas para intermediá-los. Em pelo menos três ocasiões, apresentou-se como substituto de outros profissionais em folgas.
O método do auxiliar incluía ameaças e solicitações de ajuda às vítimas para operações bancárias, conseguindo acessar dados biométricos e credenciais dos pacientes para realizar transações financeiras ilegais.
Seis registros de ocorrência, entre outubro de 2025 e agosto de 2026, foram analisados pelo 15º Distrito Policial, todos referentes a pacientes em atendimento domiciliar.