Chefe do PCC condenado a quase 126 anos é preso na Bolívia e novamente alvo da polícia em MS
Gerson Palermo, condenado por tráfico e sequestro, fugiu após prisão domiciliar e foi recapturado em 2026 na Bolívia. Novo mandado foi cumprido em operação contra tráfico internacional.
Gerson Palermo, apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e condenado a quase 126 anos de prisão por tráfico internacional de drogas e participação em sequestro de avião, voltou a ser alvo da polícia em Mato Grosso do Sul. Ele foi preso na Bolívia em maio de 2026, após seis anos foragido, e teve um novo mandado de prisão cumprido em 15 de outubro durante a Operação Capolinea.
Palermo deixou a Penitenciária Federal de Campo Grande em abril de 2020, beneficiado por uma prisão domiciliar concedida pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, que foi aposentado compulsoriamente após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) concluir que a decisão foi baseada em alegação médica não comprovada. Pouco depois da saída, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, permanecendo foragido até sua recaptura na Bolívia.
Operação Capolinea contra esquema de tráfego de drogas
A Operação Capolinea, realizada em outubro de 2026, é coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS) e investiga uma organização criminosa que transportava drogas da Bolívia para o Brasil. Estima-se que cerca de 24 toneladas de entorpecentes tenham sido movimentadas, com carregamentos escondidos em caminhões de minério de ferro, pneus, tanques de combustível e grãos. A ação envolveu cerca de 100 policiais, cumprindo 14 mandados de prisão preventiva, 7 temporários e 20 de busca e apreensão em quatro estados.
Além de Palermo, outros alvos da operação incluem Aguinaldo Chaleira, também apontado como traficante, e um vigilante da Delegacia da Polícia Federal em Corumbá que fornecia informações à organização criminosa. A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens avaliados em R$ 24 milhões dos envolvidos.
Histórico criminal de Gerson Palermo
Em agosto de 2000, Palermo participou do sequestro de um avião da Vasp, um Boeing 727, que foi tomado durante voo de Foz do Iguaçu para Curitiba. O grupo criminoso obrigou a aeronave a pousar em Porecatu (PR) e roubou malotes com cerca de R$ 5,5 milhões do Banco do Brasil, ato pelo qual ele foi condenado a 66 anos e nove meses de prisão.
Em 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In, desarticulando uma organização suspeita de transportar cocaína da Bolívia ao Brasil, ação na qual Palermo foi condenado a 59 anos adicionais por tráfico e associação para o tráfico. Somadas, suas penas chegam a 125 anos e nove meses de prisão.
Recaptura e cumprimento do mandado de prisão
Após sua prisão na Bolívia em maio de 2026, Palermo foi expulso do país e trazido ao Brasil, inicialmente ficando na Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande. Depois de audiência de custódia, ele foi transferido novamente para a Penitenciária Federal da capital sul-mato-grossense. Em outubro, sua prisão foi reafirmada com o cumprimento do mandado no âmbito da Operação Capolinea.
A defesa de Gerson Palermo não foi localizada para comentar o caso até a última atualização desta reportagem.