Pitty lança sexto álbum solo resgatando punk rock e explorando metal e pop contemporâneo
Cantora baiana estreia disco homônimo com 13 faixas que mesclam punk, metal e até tecnobrega, refletindo experiências recentes da artista.
A cantora, compositora e instrumentista baiana Pitty lançou nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, seu sexto álbum solo de estúdio, intitulado simplesmente “Pitty”. Com 13 faixas, o disco marca uma reaproximação com o punk rock que caracterizou os primeiros trabalhos da artista, ao mesmo tempo em que incorpora elementos do metal e do pop contemporâneo.
A produção musical do álbum foi realizada por Pitty em parceria com Rafael Ramos, com participação de Nave em alguns detalhes sonoros. Em essência, o disco retoma a veia punk da cantora nas faixas “Não à deriva” — que se aproxima do stoner rock — e “Desobediente”, que termina com influências da música oriental.
Temas e letras pessoais
Após o sucessor “Matriz” (2019), álbum em que Pitty explorou uma sonoridade mais expandida a partir de suas raízes baianas, o novo disco traz reflexões sobre aspectos pessoais vividos pela artista, que completou 49 anos em outubro e compartilha experiências como problemas de saúde, maternidade e separação.
Na faixa “Álbum de casamento”, que se destaca pelo blues-rock, Pitty aborda dores do término sob uma perspectiva de retomada da autoestima e da autonomia, como evidenciado nos versos:
“Eu já tomei de volta a posse do que é meu / Minha arte, meu corpo, minha maternidade / A minha insanidade quem resolve sou eu.”
Também chama atenção “Cuidada”, uma rock-balada que representa um acerto de contas póstumo com a mãe da artista, Laurita, falecida, trazendo uma letra carregada de afetividade e reconciliação.
Diversidade sonora e parcerias
Embora o álbum convirja principalmente para o rock e suas vertentes, algumas faixas se diferenciam. “Pileque de poeta”, criada com Felipe Vassão, apresenta uma sonoridade voltada ao pop contemporâneo, destoando do tom predominante do disco. Já “Sobriedade seletiva”, outra colaboração com Vassão, introduz elementos de punk-disco e house, integrando-se melhor à atmosfera roqueira do trabalho.
A diversidade se estende ainda em “Amiga,” que flerta de forma breve com o tecnobrega, mostrando a versatilidade da artista na construção do repertório.
Formação musical e finalização
O disco mantém uma base marcada pela intensidade das guitarras, a cargo do músico Martin Mendonça, acompanhadas pelo baixo de Paulo Kishimoto, a bateria de Nico e os teclados de Rodrigo Tavares. O álbum encerra com “Nó”, um rock que fala sobre recomeço, refletindo a experiência de perseverança expressa na frase:
“Pior que cair é nem tentar andar.”
Embora o trabalho possa parecer em alguns momentos um retorno a fases anteriores da carreira, ele evidencia a maturidade e o movimento constante de Pitty como artista que segue ativa e reflexiva.
“Pitty” foi disponibilizado em formato digital e em vinil pela gravadora Deck, reiterando a relevância da artista no cenário da música brasileira contemporânea.