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Mato Grosso do Sul

Santa Casa de Campo Grande anuncia cortes em leitos e redução de especialidades pelo SUS em cenário de crise financeira

Hospital planeja restringir atendimentos e adaptar estrutura ao orçamento público após audiência judicial sem acordo.

16/10/2026 às 07h41

A Santa Casa de Campo Grande enfrentará uma redução nos atendimentos e alterações em sua estrutura física devido à crise financeira que persiste no hospital. A decisão foi anunciada após uma audiência judicial realizada em 14 de outubro de 2026, que contou com a participação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e terminou sem acordo entre a direção do hospital e os governos estadual e municipal sobre as condições financeiras do novo contrato de gestão.

Segundo o gestor provisório da Santa Casa, Luiz Alberto Kanamura, a proposta apresentada pelo Estado e pela Prefeitura para o novo contrato não contempla a adequação financeira necessária para a manutenção do hospital. Por isso, a diretoria decidiu, temporariamente, não assinar o acordo, planejando apresentar em breve uma contraproposta que alinhe a estrutura hospitalar ao orçamento disponível.

Restrições imediatas nos atendimentos

Enquanto as negociações prosseguem, a Santa Casa anunciou que restringirá os atendimentos para priorizar casos emergenciais encaminhados pela rede pública de saúde. Essas medidas incluem a limitação das internações a aproximadamente 24 horas e o redirecionamento de pacientes que possam ser atendidos em outras unidades hospitalares. Esta decisão decorre da escassez de materiais em setores como hemodinâmica, ortopedia e cirurgia vascular, além do atraso nos pagamentos a fornecedores e equipes médicas.

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Embora não tenha sido detalhado quantos pacientes serão afetados, o hospital enfatizou a intenção de preservar recursos para os casos mais graves e emergenciais, mantendo o atendimento apenas por encaminhamento oficial da rede pública e evitando novas internações que possam ser efetuadas em outras instituições.

Redução de especialidades e leitos no SUS

A direção da Santa Casa informou que planeja uma reorganização dos serviços para adequar a prestação de atendimentos ao teto orçamentário definido pelo novo contrato. As especialidades consideradas prioritárias para continuar no Sistema Único de Saúde (SUS) incluem politrauma, neurocirurgia, neurologia clínica, ortopedia, cardiologia clínica e cirúrgica, cirurgia vascular e tratamento de queimados.

Outras especialidades poderão ter os atendimentos pelo SUS descontinuados, podendo manter-se apenas em atendimentos particulares ou serem encerradas. A redução no número de leitos também está entre as possibilidades em estudo para alinhar a operação com o financiamento disponível, sendo que a direção ainda não especificou quais serviços ou quantidades de leitos serão afetados.

Crise financeira persistente e impactos estruturais

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul destacou, durante a audiência, que o incremento de R$ 4 milhões mensais previsto no novo contrato não será suficiente para sanar o déficit mensal estimado entre R$ 15 milhões e R$ 19,7 milhões enfrentado pela Santa Casa. Além disso, chamou atenção para a dívida com profissionais médicos, que alcança cerca de R$ 40 milhões e contempla atrasos de até cinco meses nos pagamentos.

Entre os problemas apontados, destaca-se a situação da anestesiologia, considerada crítica para a continuidade dos serviços hospitalares. O MPMS também relatou casos de pacientes internados por prazos superiores a 90 dias e prolongada espera, cerca de 60 dias, para a realização de procedimentos como a colocação de marcapasso.

Suspensão de cirurgias cardíacas pediátricas e desdobramentos

A crise tem causado repercussões diretas nos atendimentos oferecidos. Desde o final de julho, a Santa Casa suspendeu cirurgias cardíacas pediátricas eletivas, devido à falta de equipe médica especializada. Pacientes precisaram ser transferidos para hospitais em São Paulo, em deslocamentos que ultrapassam mil quilômetros.

O hospital é a única unidade no Mato Grosso do Sul credenciada pelo SUS para essas cirurgias, o que potencializa o impacto da suspensão dos procedimentos na população local. O Ministério Público acompanha o caso por meio de um inquérito civil que avalia as medidas adotadas para minimizar a fila de espera.

Perspectivas e acompanhamento

A Santa Casa informou que seguirá negociando com as secretarias de Saúde do estado e do município, e apresentará uma proposta detalhada de adequação da estrutura hospitalar ao orçamento previsto no contrato. O Ministério Público declarou que continuará acompanhando o desenrolar da situação, cobrando ações que assegurem a manutenção do atendimento da população dependente do SUS.

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