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São Paulo

Unicamp desenvolve curativo líquido biodegradável feito de cana-de-açúcar que acelera cicatrização

Pesquisadores da Unicamp criaram curativo em forma de película líquida que reduz em 50% o tempo de recuperação e é absorvido pelo organismo.

16/10/2026 às 06h10

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um curativo líquido biodegradável produzido a partir da cana-de-açúcar, capaz de formar uma película protetora transparente sobre a pele. Essa inovação pretende substituir gazes e ataduras tradicionais, ao mesmo tempo em que reduz o tempo de cicatrização e a geração de resíduos.

A tecnologia, desenvolvida para aplicação em seres humanos e animais, utiliza processos de fermentação para transformar o açúcar extraído da cana em ácido lático, uma substância compatível e absorvível pelo organismo. Conforme os estudos pré-clínicos realizados em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), o produto apresentou redução de até 50% no tempo de recuperação da pele em comparação aos métodos convencionais.

Funcionamento e vantagens

O curativo é aplicado diretamente na pele por meio de spray ou de um dispositivo portátil e forma uma película fina, resistente à água e transparente, que protege a ferida contra agentes externos que podem causar infecções. Essa transparência facilita o acompanhamento visual da cicatrização sem a necessidade de remover a proteção.

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Além da praticidade no uso, o produto diminui o risco de contaminação cruzada, uma vez que elimina a necessidade de trocas frequentes de curativos. Também reduz os resíduos biológicos descartados, já que a película é absorvida pelo corpo durante o processo de recuperação.

Perspectivas e etapas futuras

O pedido de patente dessa inovação está registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com titularidade compartilhada entre a empresa Dermbio Biotech — empresa-filha da Unicamp — e a universidade. Os próximos passos envolvem a obtenção das autorizações regulatórias necessárias para o início dos testes clínicos em pacientes.

O potencial de aplicação da tecnologia é amplo, podendo extrapolar o uso em curativos para incluir dermocosméticos, revestimento de implantes e próteses e sistemas para liberação controlada de medicamentos.

Equipe e desenvolvimento

A equipe responsável pelo desenvolvimento inclui os pesquisadores Rubens Maciel Filho, André Luiz Jardini Munhoz, Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon e Ana Flávia Pattaro. Segundo eles, apenas 1 ml da solução aplicada com uma caneta especial é suficiente para centenas de aplicações, o que demonstra a eficiência do produto.

A pesquisadora Ana Flávia Pattaro destaca que o curativo permanece sobre a pele durante toda a cicatrização e é integralmente absorvido pelo organismo sem causar efeitos tóxicos. O professor Rubens Maciel Filho ressalta que essa película inteligente atua como uma barreira protetora e estimula a regeneração tecidual.

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