Mais de 160 pinguins encalhados mortos em um só dia em São Francisco do Sul, SC
Em 12 de outubro, mais de 160 pinguins foram encontrados mortos em praias do Norte catarinense, volume 33% superior à média mensal histórica.
Mais de 160 pinguins-de-magalhães foram registrados mortos nas praias de São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina, apenas na segunda-feira, 12 de outubro de 2026. Este número supera em 33% a média histórica mensal para toda a região Norte do estado, que é de cerca de 120 pinguins para o mês de outubro inteiro.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), realizado pela Universidade da Região de Joinville (Univille), registrou as ocorrências nos trechos da Praia Grande e do Ervino, áreas que totalizam cerca de 26 quilômetros de costa. No mesmo dia, a equipe também resgatou três pinguins vivos e debilitados nas praias de Itaguaçu, Forte e Ervino, após acionamentos feitos por moradores locais.
Aumento incomum e investigação em curso
Segundo André Barreto, coordenador do PMP-BS, o volume elevado de mortes causou surpresa à equipe, pois outubro normalmente apresenta uma queda nos registros de encalhes de pinguins na região. Em 2026, o maior número de incidências havia ocorrido em julho e, após quedas em agosto e setembro, esperava-se número ainda menor para outubro.
Nas últimas duas semanas anteriores ao dia 12, contudo, observou-se um crescimento nos registros de pinguins encalhados em toda a faixa monitorada, especialmente nas áreas mais ao Norte de Santa Catarina e do Paraná. A equipe investiga se esse aumento está relacionado às frentes frias intensas que atingiram a região recentemente, uma vez que esses fenômenos meteorológicos podem aproximar os pinguins da costa, elevando os riscos de encalhe.
Até o momento não foi identificada uma causa única para a ocorrência em São Francisco do Sul.
Sobre os pinguins e cuidados no litoral catarinense
Os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) são aves migratórias que, no inverno do hemisfério Sul, entre junho e setembro, deslocam-se das colônias localizadas na Argentina, Ilhas Malvinas e Chile em busca de alimentos, podendo alcançar as águas do litoral Sul e Sudeste do Brasil.
Os jovens pinguins, sobretudo os em seu primeiro ciclo migratório, são os mais encontrados em praias brasileiras devido à maior vulnerabilidade a ameaças naturais e humanas. Essas aves chegam com frequência ao litoral norte catarinense em condições críticas, apresentando sintomas como anemia, desidratação severa, hipotermia e perda significativa de peso.
Problemas adicionais incluem a ingestão de lixo e o envolvimento acidental em redes de pesca. Os pinguins vivos encontrados, muitas vezes debilitados, são encaminhados para a Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univille, onde recebem atendimento especializado.
Orientações para a população
O PMP-BS/Univille recomenda que, ao encontrar um pinguim na praia, sejam acionadas as equipes responsáveis, mesmo que o animal pareça vivo e sem ferimentos aparentes. Os contatos devem incluir foto do animal e localização precisa. Também é recomendado não tentar devolver o animal ao mar, não dar água ou comida, não colocá-lo sobre gelo ou em piscina, e manter animais domésticos afastados.