Especialistas afirmam que adolescência inicia antes dos 12 anos com mudanças no corpo e na mente
Transformações físicas e emocionais típicas da adolescência costumam surgir por volta dos 9 ou 10 anos, segundo especialistas.
A adolescência, frequentemente associada ao início dos 12 ou 13 anos, segundo especialistas, pode começar antes dessa faixa etária. Os primeiros sinais dessa fase costumam aparecer por volta dos 9 ou 10 anos, quando o corpo e o cérebro passam por mudanças significativas.
As transformações físicas incluem o aparecimento de espinhas, o início da menstruação nas meninas e o engrossamento da voz nos meninos. Além disso, mudanças emocionais e comportamentais emergem com intensidade: alterações de humor, emoções mais intensas e uma nova percepção do mundo ao redor manifestam-se.
Especialistas destacam que a adolescência é uma etapa de transição, na qual os jovens deixam de ser crianças, mas ainda não atingiram a maturidade adulta, o que explica sentimentos frequentes de confusão e vulnerabilidade. O pediatra Daniel Becker, que estuda o tema há mais de 40 anos, observa que os adolescentes tendem a buscar referências fora do ambiente familiar, e que a qualidade do vínculo construído na infância influencia na superação das dificuldades nesta fase.
Desenvolvimento cerebral durante a adolescência
A neurocientista Fernanda Tovar Moll explica que grande parte das mudanças está relacionada ao processo de plasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de modificar conexões e se reorganizar. Durante a adolescência, áreas relacionadas às emoções e ao sistema de recompensa amadurecem mais rápido que o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e avaliação das consequências.
Tal descompasso pode resultar na combinação de emoções intensas e menor controle dos impulsos. O amadurecimento cerebral se estende até os 25 ou 27 anos, segundo os pesquisadores.
Autonomia e acompanhamento familiar
Além das mudanças biológicas, os adolescentes passam por um processo gradual de conquista da autonomia. A psicopedagoga e terapeuta parental Cláudia recomenda que pais e responsáveis acompanhem de perto esse processo, ampliando a liberdade conforme os jovens demonstram estar aptos a lidar com novas responsabilidades.
Compreender o que ocorre no corpo e na mente nessa fase é essencial para diminuir conflitos familiares e fortalecer o diálogo durante um período conhecido por seus desafios no desenvolvimento humano.