Elon Musk atribui a Donald Trump decisão sobre restrições ao sistema Starshield usado pela Ucrânia
Bilionário esclarece que limitações do sistema de comunicação via satélite Starshield são determinadas pelo governo dos EUA, não pela SpaceX.
Elon Musk afirmou na quarta-feira (14) que as eventuais limitações impostas ao sistema Starshield, que fornece comunicação via satélite à Ucrânia, são uma decisão do governo dos Estados Unidos e não da empresa SpaceX, da qual é fundador.
A declaração foi motivada por acusações de autoridades ucranianas que apontaram uma limitação no funcionamento do serviço Starlink, também operado pela SpaceX, que teria afetado o controle de drones em operações militares. Musk explicou que os sistemas Starshield pertencem e são controlados pelo governo americano.
“Qualquer limite de velocidade ou de uso é decidido pelo Exército dos Estados Unidos e, em última instância, pelo presidente Donald Trump”, declarou o bilionário. Segundo o empreendedor, as equipamentos utilizados são propriedade do governo e não da empresa.
O Starlink tem sido utilizado pela Ucrânia desde o início da invasão russa, em 2022, servindo para manter comunicações no campo de batalha e apoiar estratégias militares. Relatos do governo ucraniano indicam que terminais Starlink em equipamentos móveis, usados por militares, apresentaram interrupções sem aviso prévio, prejudicando o controle das missões com drones.
O assessor presidencial ucraniano Serhiy Beskrestnov informou por meio do Telegram que as forças de defesa não receberam aviso prévio das limitações, o que resultou na interrupção de várias operações. Fontes do Ministério da Defesa da Ucrânia confirmaram à Reuters que tais restrições afetaram também operações logísticas e militares envolvendo drones.
Um representante do 7º Corpo de Reação Rápida da Ucrânia relatou à Reuters que, durante voos a velocidades entre 110 e 120 km/h, a conexão do Starlink poderia cair por 10 a 20 segundos, dificultando o controle dos drones, embora os equipamentos continuassem em movimento.
Além disso, o serviço Starlink não opera dentro do território russo e os drones ucranianos utilizados para atingir instalações petrolíferas russas empregam outros sistemas de comunicação. Contudo, a Ucrânia utiliza o Starlink para guiar drones dentro de seu próprio território, inclusive em áreas ainda ocupadas por forças russas.
O episódio ocorre em um contexto de tensão entre os Estados Unidos e a Ucrânia, com o presidente Donald Trump pressionando Kiev para que suspenda ataques contra refinarias russas, além de manter desacordos públicos com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Fontes da Reuters indicaram que os EUA ameaçaram restringir o compartilhamento de informações de inteligência usadas para alertar a Ucrânia sobre ataques aéreos com mísseis, como forma de pressionar o governo ucraniano.
Essa situação gerou preocupação entre autoridades ucranianas e europeias quanto à dependência militar ucraniana em relação a empresas americanas, especialmente considerando a aliança entre Musk e Trump.