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Ações do Magazine Luiza e Casas Bahia registram fortes quedas em meio a alta dos juros

Magalu e Casas Bahia enfrentam queda significativa em seus papéis com alta das taxas de juros futuros e cenário eleitoral em foco.

Da 14/10/2026 às 17h40

As ações de varejistas brasileiros sofreram fortes desvalorizações na sessão desta quarta-feira (14). As do Magazine Luiza (MGLU3) encerraram o dia com baixa de 4,49%, cotadas a R$ 10,85, ficando entre as que mais perderam no Ibovespa. Por sua vez, fora do índice, as ações da Casas Bahia (BHIA3) tiveram queda acentuada de 24,31%, negociadas a R$ 1,09.

O movimento de queda dos papéis ocorreu num contexto de alta das taxas de juros futuros, que impacta principalmente companhias do setor de varejo e consumo com maior alavancagem financeira. As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta, influenciadas durante o dia pelas oscilações dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos (Treasuries), após a divulgação dos novos dados de inflação americana.

No Brasil, os investidores também monitoravam a expectativa pela divulgação da nova pesquisa Quaest sobre a corrida presidencial, prevista para o começo da noite.

Leia também: Minidólar retoma alta em meio a incertezas eleitorais e fatores externos

Na parte final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 12,725%, avançando 3 pontos-base ante a sessão anterior de 12,699%. Já na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 terminou em 12,66%, alta de 8 pontos-base em relação ao pregão anterior, que registrou 12,579%.

Conforme o governo americano informou, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro, alinhado às expectativas dos economistas. Imediatamente após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries de curto e longo prazo apresentaram forte alta, refletindo a elevação das apostas no mercado sobre uma possível nova alta de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.

Essa movimentação levou as taxas dos DIs brasileiros a alcançarem patamares máximos e motivou a valorização do dólar frente ao real, com a taxa do DI para 2035 chegando a 12,710% às 9h36 da manhã.

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, analisou que apesar do CPI americano ter vindo em linha com as projeções, há uma ansiedade no mercado sobre as futuras decisões do Federal Reserve. Isso gera um ambiente de aversão ao risco devido à possibilidade de juros mais elevados nos EUA.

Na parte da tarde, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo recuaram, passando para zona negativa, o que ajudou as taxas dos DIs a se estabilizarem momentaneamente, embora tenham retomado alta mais tarde na sessão.

Apesar de a volatilidade ter sido influenciada principalmente por fatores externos, o noticiário político brasileiro segue chamando atenção dos investidores, com destaque para a divulgação da pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial, que seria liberada após as 18h.

Na manhã seguinte, o senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou sua participação no debate eleitoral promovido pela Band, evento originalmente marcado para domingo, após ter inicialmente declarado que não participaria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tinha confirmado presença.

Flávio Bolsonaro é considerado pelo mercado como o candidato preferido, devido à expectativa de que, se eleito, promove maior controle das contas públicas. No entanto, até o momento, ele e seus assessores econômicos ainda não apresentaram propostas concretas de ajuste fiscal.

Essa percepção de equilíbrio nas contas públicas favorece a expectativa de juros mais baixos no país, o que refletiu na semana anterior com queda dos prêmios na curva de DIs e desvalorização do dólar frente ao real. No entanto, esta semana os prêmios começaram a retornar.

Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o setor de serviços caiu 0,1% em agosto comparado ao mês anterior e cresceu apenas 0,6% na comparação anual, resultados inferiores às projeções de economistas consultados pela Reuters.

Para Matheus Spiess, a pesquisa sobre o setor de serviços evidencia a desaceleração da atividade econômica, porém seu impacto tornou-se secundário diante do destaque dado às questões eleitorais.

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