Chuva reduz velocidade média do trânsito em São Paulo em até 15%, maior impacto na América Latina
Estudo aponta que São Paulo sofre queda expressiva na velocidade do trânsito durante chuvas, superando outras grandes cidades da região.
São Paulo enfrenta uma significativa redução na velocidade média do trânsito em dias de chuva, chegando a uma queda de até 14,8% durante tempestades severas, conforme levantamento realizado pela empresa Geotab, especializada em gestão de frotas comerciais.
O estudo analisou mais de 3 milhões de deslocamentos de cerca de 10 mil veículos monitorados na capital paulista entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, abrangendo aproximadamente 10 mil trechos de ruas, avenidas e rodovias urbanas num raio de até 8 quilômetros do centro da cidade. A pesquisa identificou que, em qualquer dia com chuva, a velocidade média caiu 3,2%, mas durante tempestades intensas o impacto foi substancialmente maior.
Entre as metrópoles latino-americanas avaliadas, São Paulo apresentou o maior recuo na velocidade, superando Buenos Aires, onde a redução chegou a 10,4%, e Cidade do México, com 7,1%.
Fatores que agravam o problema
São Paulo possui um sistema viário que opera próximo ao limite da capacidade, agravando os impactos das condições climáticas adversas. A frota da capital paulista atingiu cerca de 10,1 milhões de veículos em 2026, um aumento de aproximadamente 106% em duas décadas, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Além disso, os dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que 13 dos 20 maiores índices de lentidão registrados em São Paulo neste ano ocorreram em dias com chuva.
Corredores estratégicos como o Corredor Norte-Sul, a Radial Leste e as marginais Tietê e Pinheiros são particularmente afetados, onde a combinação de excesso de veículos, alagamentos e desvios improvisados gera efeito cascata prejudicando o fluxo.
Segundo o gerente de expansão de mercado da Geotab, Marcio Fugisava, a complexidade da malha viária da cidade e o crescimento expressivo da frota contribuem para a vulnerabilidade do trânsito em dias chuvosos.
Impactos e perspectivas
O urbanista Flaminio Fichmann, assessor da presidência do Instituto de Engenharia e especialista em mobilidade, destaca que a chuva funciona como gatilho para expor fragilidades preexistentes no sistema viário paulistano, ressaltando que o trânsito está frequentemente próximo do limite da saturação.
Além disso, em dias com chuva, muitos motoristas optam pelo uso do carro particular em substituição ao transporte público, aumentando ainda mais o volume de veículos nas vias.
Fichmann também aponta que as condições adversas provocam maior incidência de acidentes e problemas como alagamentos e panes semafóricas, que intensificam os congestionamentos e reduzem a velocidade do tráfego.
A solução, para o especialista, passa necessariamente por um transporte público mais eficiente, confortável e confiável, capaz de competir com o transporte individual, além de investimentos em infraestrutura, como corredores de ônibus, sistemas BRT e obras de drenagem para minimizar os efeitos dos temporais.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que os registros de alagamentos na cidade caíram 23% entre 2023 e 2025, com investimentos de R$ 11 bilhões em obras e serviços de drenagem desde 2021, incluindo a construção e entrega de reservatórios e a recuperação de galerias e córregos.
A operação permanente de monitoramento da CET busca minimizar os impactos das chuvas no trânsito por meio da avaliação contínua das condições viárias e adoção de bloqueios temporários ou desvios quando necessários.