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Mato Grosso

Geriatra da Unimed Cuiabá explica que cuidados paliativos devem iniciar no diagnóstico para melhor qualidade de vida

Cuidados paliativos são indicados desde o diagnóstico de doenças graves para aliviar sintomas e respeitar desejos do paciente, esclarece especialista.

Por 14/10/2026 às 16h37

Os cuidados paliativos, frequentemente associados à fase final da vida, devem começar já no diagnóstico de doenças graves para proporcionar melhor controle dos sintomas e qualidade de vida, conforme explicou a médica geriatra e paliativista Mariana de Carvalho da Silva, em entrevista ao podcast Unicast da Unimed Cuiabá.

Segundo Mariana, essa abordagem não significa interromper tratamentos, mas avaliar quais intervenções beneficiam efetivamente o paciente, evitando sofrimento desnecessário. “Às vezes, o tratamento pode deixar a pessoa muito pior do que estava”, comentou a especialista.

O acompanhamento paliativo precoce permite criar vínculo com o paciente, compreender suas prioridades e planejar cuidados durante a evolução da doença. “Quanto mais tardiamente entramos, menos tempo temos para entender vontades e desejos”, destacou.

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Indicações e abrangência dos cuidados paliativos

Além do câncer, os cuidados paliativos são indicados para pacientes com demências, doenças pulmonares crônicas como DPOC e fibrose pulmonar, insuficiência renal, sequelas de AVC e insuficiência cardíaca. A atenção também contempla cuidados perinatais, iniciando o suporte à família desde o diagnóstico de condições graves no bebê durante a gestação.

Abordagem multidisciplinar e atenção às necessidades do paciente

Os cuidados envolvem equipes multidisciplinares que atendem às demandas físicas, emocionais, sociais e espirituais do paciente, valorizando sua autonomia e dignidade. “Fazemos o que ele gostaria que fosse feito”, exemplificou Mariana, mencionando pequenas ações que trazem conforto, como permitir que o paciente beba uma Coca-Cola ou veja o jardim de casa.

Também há atenção especial aos familiares, com compreensão de suas necessidades e alinhamento de expectativas para lidar com as mudanças provocadas pela doença, reforçando que “a pessoa vem antes da doença”.

Controle de sintomas e enfrentamento de preconceitos

O controle de sintomas como dor, falta de ar, fadiga, insônia, náuseas e vômitos é prioridade. O uso de medicamentos opioides, como a morfina, é indicado conforme avaliação médica, sendo ressaltado o preconceito ainda existente em torno desses remédios. “A morfina bem utilizada salva o paciente, devolve o sono, o sorriso e a autonomia”, afirmou a geriatra.

Objetivos e importância dos cuidados paliativos

De acordo com Mariana de Carvalho da Silva, os cuidados paliativos não têm a intenção de abreviar a vida, mas sim oferecer conforto, dignidade e a melhor qualidade de vida possível para pacientes com doenças graves e seus familiares. Ela orienta a busca por atendimento especializado o quanto antes para garantir esses benefícios.

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