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Mundo

ONU alerta para risco de crise alimentar por bloqueio de fertilizantes no Estreito de Ormuz

ONU destaca que impasse entre EUA e Irã pode atrasar transporte de fertilizantes e impactar produção agrícola na Ásia e África.

Da 14/10/2026 às 12h54

O subsecretário-geral das Nações Unidas, Jorge Moreira da Silva, afirmou nesta quarta-feira que a falta de acordo nas próximas semanas entre os Estados Unidos e o Irã para implementação de um plano apoiado pela ONU para o transporte seguro de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise de segurança alimentar em algumas regiões da Ásia e da África.

Desde março, a ONU criou uma força-tarefa para facilitar a passagem desses insumos estratégicos, que ainda não foi implementada. O mecanismo depende de um acordo entre os países e pode ser ativado em 7 a 10 dias após esse entendimento.

Antes do conflito, cerca de um terço da ureia global – o fertilizante mais utilizado mundialmente – passava pelo Estreito de Ormuz, que também é uma importante rota para transporte de enxofre e petróleo. Atualmente, os embarques de fertilizantes pela região do Golfo permanecem praticamente paralisados há mais de seis meses, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar.

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Moreira da Silva ressaltou a importância de fechar o acordo rapidamente para não perder a época de plantio, pois a interrupção prolongada poderia reduzir significativamente a produtividade agrícola e elevar consideravelmente os preços dos alimentos. Um relatório da Câmara de Comércio Internacional indica que a continuidade da interrupção poderia elevar os preços de cereais em até 81%, de culturas oleaginosas em 66% e de produtos de origem animal em 30%.

O plano adotaria um centro de coordenação em Omã para registrar navios e monitorar a passagem segura dos fertilizantes, com fiscalização conjunta da ONU e autoridades locais. A passagem de até cinco navios por dia seria suficiente para manter o suprimento para países em necessidade crítica.

As negociações entre Teerã e Washington enfrentam impasses relacionados ao programa nuclear iraniano e às condições impostas para a reabertura do canal, enquanto a ONU tenta viabilizar uma solução temporária que funcione paralelamente a um acordo mais amplo.

Além do bloqueio no Estreito de Ormuz, a ONU destacou outras ameaças à segurança alimentar global, como a instabilidade na região do Mar Negro, com ataques a navios de carga, e ofensivas militantes no Mar Vermelho, reforçando a complexidade do cenário atual.

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