Pular para o conteúdo
Minas Gerais

Estudo em gruta de Minas Gerais revela aquecimento acelerado na América do Sul

Pesquisa inédita detecta que aquecimento na América do Sul ocorre 2,5 vezes mais rápido que variação natural dos últimos 20 mil anos.

Por 14/10/2026 às 08h28  ·  Atualizado em 14/10/2026 às 08h30
1 de 1 Gruta Rei do Mato, em MG
1 de 1 Gruta Rei do Mato, em MG — Foto: Redes sociais

Uma pesquisa inédita realizada na Gruta Rei do Mato, localizada em Sete Lagoas, Região Metropolitana de Belo Horizonte, apontou que o aquecimento em grande parte da América do Sul está ocorrendo a uma velocidade 2,5 vezes maior do que a variação natural registrada nos últimos 20 mil anos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e a Universidade de Bergen, da Noruega, com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Seus resultados foram publicados na revista científica Nature, reconhecida internacionalmente.

Metodologia baseada em estalagmites

O objeto principal da pesquisa foi uma estalagmite encontrada solta dentro da caverna. Essa formação rochosa cresce do chão para o teto e acumula em sua matriz cristalina pequenas gotículas de água aprisionadas durante muitos milênios.

Leia também: Previsão do tempo para hoje em Ribeirão das Neves (MG): sol com muitas nuvens à tarde e pancadas de chuva à noite

Segundo o pesquisador Panisset, as estalagmites da Gruta Rei do Mato apresentam características específicas que as tornam particularmente adequadas para a reconstrução das condições ambientais passadas. As gotículas preservadas nessas estruturas funcionam como registros históricos das temperaturas médias anuais externas, refletidas pela água da caverna.

Resultados e implicações

O estudo constatou que a temperatura dentro da gruta saltou de 14,4ºC para 20,1ºC, evidenciando um aumento muito acima das variações naturais observadas nos últimos 20 mil anos.

O líder da coleta e professor do Instituto de Geociências da USP, Nicolás Strikis, destacou a importância dos achados para entender a gravidade do cenário atual. Ele enfatizou a necessidade de medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o desenvolvimento de políticas públicas para adaptar a sociedade às consequências do aquecimento acelerado.

“Nem tudo está perdido. É fundamental implementar estratégias de mitigação, como o reflorestamento e tecnologias de captura de carbono, além de políticas que preparem a população para os desafios futuros”, afirmou Strikis.

📰 Veja também