Levantamento revela hipertensão em quase 30% de crianças e adolescentes de três estados brasileiros
Pesquisa com mais de 6 mil estudantes indica associação entre excesso de peso e hipertensão arterial em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Uma pesquisa realizada com mais de 6 mil estudantes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo revelou que quase 3 em cada 10 crianças e adolescentes apresentam hipertensão arterial, condição frequentemente associada a adultos. Este dado faz parte do levantamento do projeto Brasil Coração Saudável, que avaliou a saúde cardiovascular de crianças e adolescentes de 7 a 18 anos em 38 escolas entre junho e outubro de 2026.
Segundo o estudo, 28,3% dos participantes foram classificados com hipertensão e 11,6% com pré-hipertensão. Além disso, cerca de um terço dos estudantes apresentaram excesso de peso, entre sobrepeso (19,5%) e obesidade (13,6%). A pesquisa mostra que a hipertensão é mais frequente entre os participantes com obesidade, atingindo 48,4% dos casos nessa categoria, enquanto entre os eutróficos (com peso adequado) o percentual foi de 22,6%.
Variações por idade e sexo
O levantamento identificou ainda diferenças significativas quanto à idade e ao sexo. Entre os meninos de 15 a 18 anos, 40,7% apresentaram hipertensão — a maior proporção entre todos os grupos estudados. Entre as meninas da mesma faixa etária, o índice foi de 28,6%. Além disso, meninos menores de 7 anos tiveram taxa de 39,1%, acima do percentual registrado para meninas dessa mesma idade, que foi 30,2%.
Os dados também indicam que a pressão arterial sistólica média (a máxima) aumenta progressivamente com a idade, alcançando 121,8 mmHg entre meninos de 15 a 18 anos e 112,6 mmHg para as meninas dessa idade. A pressão diastólica (mínima) apresentou elevação semelhante com a idade.
Excesso de peso e obesidade
Os resultados da pesquisa mostram que o sobrepeso foi mais prevalente entre meninas de 11 a 14 anos, atingindo 24%, e 17,8% entre meninos da mesma faixa etária. Já a obesidade foi mais frequente em meninos de 7 a 10 anos, com 17,1% dos casos, comparado a 14% nas meninas. Percentuais elevados de obesidade também foram observados em menores de 7 anos: 16,7% nos meninos e 16,1% nas meninas.
O índice de massa corporal (IMC) e a circunferência abdominal média aumentaram com a idade, passando de 17,9 kg/m² para 22,5 kg/m² no IMC e de 62,6 cm para 74,1 cm na circunferência abdominal entre 7 e 18 anos. Entre os adolescentes maiores, meninos registraram circunferência maior que as meninas.
Adiposidade central e hipertensão
A pesquisa também avaliou a adiposidade central, que reflete o acúmulo de gordura abdominal, utilizando a relação cintura/estatura e a circunferência abdominal. Cerca de 17,4% dos participantes tinham relação cintura/estatura superior a 0,5, e 14,1% registraram circunferência abdominal igual ou superior ao percentil 90.
Entre os estudantes com relação cintura/estatura elevada, 40,6% apresentaram hipertensão, contra 24,4% dos que tinham medida adequada. Para aqueles com circunferência abdominal elevada, a hipertensão afetou 46,3%, em comparação a 26,3% dos demais. A pressão arterial média também foi mais alta nos estudantes com esses indicadores de adiposidade.
Estilo de vida e saúde mental
Quanto aos hábitos diários, 59% dos participantes disseram passar pelo menos três horas por dia diante de telas, com celular e televisão como os dispositivos mais utilizados. Em relação à atividade física na escola, 93% praticavam algum exercício, mas 66,1% deles dedicavam apenas uma a duas horas semanais.
Sobre o estresse, cerca de 12,7% dos estudantes relataram níveis intensos ou exagerados em casa, enquanto 12,5% sentiram o mesmo na escola. Na sociedade, o percentual foi menor, de 6,3%. Além disso, o levantamento incluiu uma avaliação de saúde espiritual, indicando altos percentuais de gratidão (93%) e altruísmo (86,4%) entre os participantes.
Os resultados fazem parte da primeira fase do projeto Brasil Coração Saudável e são descritivos, sem representar necessariamente o panorama nacional ou diagnósticos clínicos definitivos. A associação entre excesso de peso e hipertensão ressaltada pelo estudo indica a importância de promover estilos de vida mais saudáveis para crianças e adolescentes, com acompanhamento médico e reforço na atividade física.