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Educação

Redações nota mil do Enem evidenciam uso estratégico de repertórios culturais e estrutura argumentativa

Análise de cinco redações nota mil do Enem revela padrões essenciais para alcançar a máxima pontuação na prova.

Por 14/10/2026 às 05h14

Faltando menos de um mês para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, marcado para 8 de novembro, analisar redações que receberam a nota máxima em edições anteriores pode auxiliar candidatos a entender a estrutura e a argumentação qualificadas pelo exame.

O g1 selecionou cinco redações notas mil das edições de 2021 a 2025 para uma análise feita por duas professoras especializadas. O objetivo da análise foi identificar elementos comuns que contribuem para o desempenho máximo, desde o uso de repertórios culturais até a formulação detalhada da proposta de intervenção.

Uso consistente de repertórios culturais e referências

As cinco redações integraram referências diversas, incluindo livros, filmes, músicas, eventos históricos e conceitos de pensadores renomados. Contudo, o que diferencia os textos não é a simples citação dessas fontes, mas a explicação clara da relação entre o repertório e o tema em discussão.

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Na redação de 2021, por exemplo, Fernanda Quaresma relacionou o romance Vidas Secas de Graciliano Ramos à desumanização e ao problema da falta de registro civil no Brasil, retomando os personagens ao longo da argumentação para reforçar o argumento. Em 2022, Carina Moura utilizou o Romantismo brasileiro e conceitos como “colonialismo insidioso” e “epistemicídio” para problematizar o apagamento dos povos indígenas.

Os textos mais recentes também mantiveram essa estratégia. A redação de 2025, de Caio Silva Braga, relacionou o livro O Karaíba, a Lei dos Sexagenários e o filme Vitória para discutir o respeito aos idosos e suas limitações históricas. Rafael Santana, em 2024, usou o álbum Duas Cidades para abordar a influência africana no Brasil.

Organização clara e progressão argumentativa

As professoras observaram que as redações seguiram predominantemente um método dedutivo, com introduções que apresentam a problemática de forma geral e parágrafos de desenvolvimento que detalham aspectos específicos. Um padrão comum foi a apresentação clara da ideia central no parágrafo, seguida da introdução do repertório, sua relação com o tema e as consequências discutidas.

A coesão textual foi garantida por conectivos adequados – como “Nesse sentido” para relacionar ideias e “Além disso” para adicionar argumentos –, que orientaram a progressão do raciocínio.

Propostas de intervenção detalhadas e conectadas à argumentação

Outro ponto destacado foi o detalhamento das propostas de intervenção. As redações indicaram claramente quem deve agir, o que deve ser feito e como a medida contribuirá para resolver o problema.

Fernanda Quaresma, por exemplo, sugeriu que o governo federal ampliasse o acesso aos cartórios com campanhas de conscientização, enquanto Carina Moura propôs a fiscalização dos direitos dos povos tradicionais e debates públicos. Caio Silva Braga indicou o Ministério da Educação como agente para iniciativas de capacitação dos idosos, e Rafael Santana sugeriu ações do Poder Executivo e Legislativo para valorização da herança africana.

Autoria e originalidade acima de fórmulas prontas

Segundo as professoras, a nota máxima não depende de reproduzir repertórios específicos ou de seguir uma fórmula rígida. O diferencial está na seleção cuidadosa dos repertórios, na articulação das ideias e no aprofundamento dos argumentos, demonstrando autoria e posicionamento crítico.

Além disso, foi destacado o cuidado para evitar o chamado “repertório de bolso”, que consiste em memorização de citações usadas de forma genérica, sem relação efetiva com o tema. O importante é que as referências culturais sejam pertinentes e produtivas para a argumentação.

Treinamento para o Enem 2026

Na reta final para a prova, a recomendação é focar na prática da construção de um ponto de vista consistente, explicação clara dos argumentos e elaboração de propostas de intervenção completas, mais do que decorar referências ou conectivos isolados.

Assim, os candidatos podem se preparar para desenvolver redações com a complexidade e a coesão exigidas para alcançar a nota máxima no Enem.

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