Família busca esclarecimentos sobre morte de brasileiro detido na Turquia antes de deportação
Lucas Nascimento de Medeiros, detido em centro migratório, foi encontrado morto em hotel na Turquia; família questiona detalhes do caso.
Lucas Nascimento de Medeiros, brasileiro de 33 anos, foi encontrado morto em um quarto de hotel na Turquia, fato confirmado pelo Consulado-Geral do Brasil em Istambul conforme boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo. Até então, a família acreditava que Lucas estava detido em um centro migratório na cidade de Esmirna e aguardava sua deportação para o Brasil, prevista para a segunda-feira (12) no Aeroporto de Guarulhos.
O último contato de Lucas com os familiares ocorreu na quinta-feira (8), quando informou que estava naquela detenção e que seria deportado entre domingo e segunda. Ele chegou a compartilhar sua localização no centro migratório. Após este contato, as mensagens cessaram e a família não conseguiu mais falar com ele.
Marcos Medeiros, irmão de Lucas, relata que o brasileiro teria se envolvido em uma discussão de cunho religioso na Turquia e saiu com um corte no rosto, tendo procurado autoridades locais para relatar o episódio. Contudo, ao invés de ser liberado, Lucas foi detido e levado ao centro de migração.
Quando a família aguardava seu retorno no aeroporto de Guarulhos, foi informada pela companhia aérea de que Lucas não havia embarcado. Posteriormente, a ex-namorada do brasileiro recebeu um e-mail indicando que ele havia sido encontrado morto em um hotel na Turquia.
O posicionamento das autoridades brasileiras tem sido cauteloso. O Itamaraty informou que tem conhecimento do caso e presta assistência consular à família por meio do Consulado-Geral em Istambul. Já a Polícia Civil de São Paulo registrou o boletim e indicou que a investigação de um possível homicídio em território estrangeiro cabe às autoridades locais, mas que o caso será encaminhado para avaliação de eventuais providências, inclusive cooperação internacional.
A família manifestou insatisfação com o atendimento, destacando dificuldades para obter apoio da Polícia Federal e do Itamaraty, ao passo que a Polícia Civil tem sido mais receptiva. Uma irmã de Lucas deve viajar para a Turquia para proceder com o reconhecimento do corpo e busca esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.