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Saúde

Pesquisadora russa especializada em peste morre na Sibéria e gera questionamentos sobre causas e riscos

Morte de técnica de laboratório em instituto russo levanta dúvidas sobre peste pneumônica e medidas sanitárias locais.

Por 14/10/2026 às 02h36

A morte da pesquisadora russa Darya Shipilova, de 28 anos, que trabalhava em um instituto de pesquisa sobre a peste na Sibéria, gerou dúvidas e preocupação internacional sobre a possibilidade de disseminação da peste pneumônica, uma forma grave da doença causada pela bactéria Yersinia pestis.

Shipilova adoeceu durante o trabalho no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na Sibéria e Extremo Oriente, e faleceu em 2 de outubro. As circunstâncias exatas da morte não foram esclarecidas oficialmente. Inicialmente, uma autoridade russa publicou em redes sociais que ela havia morrido de peste, mas depois revisou a declaração para “possivelmente” peste. O órgão de saúde russo declarou mais tarde que a causa da morte teria sido pneumonia de etiologia desconhecida.

A reportagem de veículos locais indicou que a infecção poderia ter ocorrido após um suposto acidente no laboratório, embora não haja confirmação oficial desse cenário.

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O que é a peste e quais suas formas?

A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis, que circula principalmente entre roedores como ratos e cães-da-pradaria. Essa bactéria pode infectar humanos e causar três formas principais da doença:

  • Peste bubônica: transmitida por pulgas de animais para humanos, manifesta-se por inchaço dos gânglios linfáticos (bubões), febre, dores de cabeça, calafrios e fraqueza.
  • Peste septicêmica: pode ocorrer como complicação da peste bubônica ou diretamente, ao atingir a corrente sanguínea, provocando infecção generalizada e sangramento nos órgãos.
  • Peste pneumônica: ocorre quando a bactéria atinge os pulmões, causando pneumonia grave. É a única forma que pode transmitir-se diretamente entre pessoas por gotículas respiratórias.

Ainda há risco epidêmico?

Historicamente, a peste causou grandes pandemias, como a chamada Peste Negra na Idade Média e a pandemia do século XIX, que causaram milhões de mortes. Atualmente, a doença permanece endêmica em algumas regiões da Ásia Central, África, Américas e na Sibéria, onde a pesquisadora trabalhava.

Embora casos isolados ainda sejam registrados em áreas rurais, surtos epidêmicos generalizados são raros e controlados graças ao uso de antibióticos eficazes se administrados rapidamente após a infecção.

Entretanto, cepas resistentes a antibióticos têm sido detectadas desde a década de 1990 na natureza, e durante a era soviética também foram produzidas cepas resistentes em laboratórios para fins bélicos, sem evidências de que a cepa ligada ao caso atual tenha tais características ou que o laboratório realize pesquisas de armas biológicas.

Posicionamento das autoridades

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está monitorando o caso e afirmou que, baseando-se nas informações não oficiais disponíveis, o risco para a saúde pública geral parece baixo. A avaliação poderá ser atualizada conforme novos dados forem obtidos.

Atualmente, cerca de 200 pessoas estão em quarentena na região para controle e monitoramento. As autoridades esperam esclarecimentos transparentes sobre a origem da doença da pesquisadora para avaliar corretamente os riscos de surtos locais ou disseminação mais ampla.

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