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São Paulo

Caso Gisele: tenente-coronel nega agressão e apresenta versão contraditória à perícia

Em audiência, tenente-coronel acusado de feminicídio negou violência contra a esposa e afirmou que a morte foi suicídio, contrariando laudos periciais.

Por 14/10/2026 às 00h41

O tenente-coronel Geraldo Neto, preso preventivamente pela morte da soldado da Polícia Militar Gisele, apresentou em sua última audiência uma versão que contradiz as evidências da investigação. Ele negou ter cometido qualquer violência contra a esposa e afirmou que o óbito foi resultado de suicídio, afirmando ainda que a policial seria a parte agressiva do relacionamento.

Durante mais de oito horas de interrogatório, o oficial descreveu Gisele como agressiva em privado, apesar da imagem pública simpática que se apresentava. Ele chegou a dizer que, se a situação fosse invertida, ele próprio seria tido como vítima. Essa narrativa foi refutada pelo advogado da família da vítima, que classificou a versão como uma tentativa de descaracterizar a policial para eximir o tenente-coronel das responsabilidades.

Na audiência, foram apresentadas provas como um áudio enviado por Gisele pouco mais de uma semana antes da morte, no qual ela relatava uma suposta agressão sofrida durante uma discussão. Geraldo Neto negou a agressão e afirmou acreditar que a esposa manipulava os celulares do casal para produzir provas contra ele.

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Também foram exibidas mensagens trocadas entre o casal. Em uma delas, Gisele expressa contrariedade em relação ao tratamento recebido do marido. Em resposta, foi apresentada uma suposta mensagem de Geraldo Neto se referindo ao casamento com uma postura de “macho alfa” e expectativa de submissão da esposa, porém ele negou ser o autor da mensagem.

Nos meses anteriores ao falecimento de Gisele, as investigações indicam que a vítima manifestou várias vezes desejo de se divorciar. Contrariando esses dados, o tenente-coronel afirmou que era ele quem pretendia a separação e que os desejos da esposa eram resultado de expressão superficial.

Laudos periciais afastam tese de suicídio

Três laudos da Polícia Técnica rebatem a versão do suicídio. Segundo os peritos, Gisele teria sido abordada por trás, imobilizada e morta com um tiro à queima-roupa na cabeça, o que exclui a possibilidade de disparo autoinfligido. Foram encontrados vestígios de sangue em diversos locais, incluindo uma toalha no banheiro e a bermuda do tenente-coronel. Marcas digitais no queixo da vítima também foram descritas.

A Justiça deverá decidir se o tenente-coronel responderá ao processo de feminicídio em júri popular. Enquanto isso, ele permanece preso preventivamente.

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