Homem com esquizofrenia é morto com 24 tiros por policiais em SP; irmã questiona atuação da PM
Antonio Nunes Batista, em surto, foi baleado após tentativa frustrada de contenção por arma de choque; policiais foram afastados para investigação.
Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto por policiais militares na Zona Norte de São Paulo após ser atingido por 24 tiros durante uma abordagem. Segundo o boletim de ocorrência, ele estava em surto e portava uma faca e uma barra de ferro, ameaçando pedestres na Vila Dionísia, quando foi abordado pelos agentes.
Imagens registradas por testemunhas mostram Antonio caído no chão, imobilizado após o uso de uma arma de choque pelos policiais, momento em que começaram os disparos. De acordo com a perícia no local, foram encontrados 24 estojos de munição e três cartuchos de arma de eletrochoque.
A irmã da vítima, Isabel Nunes Batista, questionou a conduta policial afirmando que Antonio tinha esquizofrenia e que os agentes poderiam ter adotado outras formas de contenção. “Ele gesticulava, falava, gritava. É uma pessoa que tem esquizofrenia. Eles não sabem lidar com uma pessoa dessa?”, declarou.
O professor de Segurança Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), Rafael Alcadipani, ressaltou que a Polícia Militar possui protocolos para casos envolvendo pessoas em surto e que a atuação dos policiais precisa ser avaliada conforme essas diretrizes, uma vez que, segundo ele, “as análises preliminares indicam que parece que os protocolos não foram seguidos como deveriam”.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) comunicou que os policiais envolvidos foram afastados preventivamente das funções operacionais enquanto ocorrem investigações civil e militar. As armas dos agentes foram apreendidas para perícia, e câmeras corporais foram solicitadas para análise, embora os três policiais que efetuaram os disparos não as utilizassem no momento.
Antonio foi socorrido por uma unidade de resgate e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Peri 3, mas não resistiu aos ferimentos. O caso segue sob investigação pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com inquérito policial instaurado, e acompanhação da Corregedoria da PM por meio de Inquérito Policial Militar (IPM).