Fumaça cobre Manaus durante todo o dia por baixa dispersão de poluentes, alerta meteorologista
Manaus teve nesta segunda-feira (12) a pior qualidade do ar do Brasil devido à alta concentração de partículas finas e pouca dispersão dos poluentes.
Manaus ficou coberta por fumaça durante toda a segunda-feira (12) devido à baixa capacidade da atmosfera de dispersar os poluentes, informou a meteorologista Andrea Ramos. Segundo dados da plataforma internacional IQAir, a capital amazonense apresentou a pior qualidade do ar do Brasil até as 18h do dia.
A concentração de partículas finas (PM2.5) atingiu 97,9 microgramas por metro cúbico no final da tarde, valor que corresponde a 19,6 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A qualidade do ar foi qualificada como “insalubre” e chegou a um índice AQI de 181, com picos anteriores chegando a 195, além de sensores locais registrarem índices “péssimos” ou “muito ruins” em diferentes pontos da cidade.
Imagens de vários bairros, incluindo o Conjunto Castanheiras, ilustraram a baixa visibilidade provocada pela fumaça durante a tarde. A presença de quase 1.400 focos de incêndio no Amazonas nos dez primeiros dias de outubro, um aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025, contribuiu para a alta poluição do ar.
Contribuições meteorológicas e previsão
A meteorologista Andrea Ramos explicou que os queimadas ativas mantêm a poluição próxima à superfície, e, apesar do aquecimento diurno que normalmente ajuda na dispersão de poluentes, essa condição não foi suficiente para melhorar a qualidade do ar nesta segunda-feira. A previsão indica pouca chuva para os dias 12 e 13 de outubro, com chance maior de pancadas a partir do dia 14, o que poderia melhorar temporariamente as condições atmosféricas.
Ramos também destacou que o fenômeno El Niño pode agravar as condições para os incêndios ao reduzir as chuvas e aumentar as temperaturas na região, tornando a vegetação mais seca e suscetível ao fogo, embora não produza fumaça diretamente.
Incêndios florestais em números
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), indicam que dos 1.380 focos de incêndio registrados no Amazonas nos primeiros dez dias de outubro, 1.186 ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais com situação fundiária indefinida. Também foram atingidas 246 áreas de assentamentos federais, 116 terras indígenas e 97 unidades de conservação.