Família do médico criador da raça Tabapuã mantém criação de gado em Uchoa (SP) há cinco gerações
Herança do médico Alberto Ortenblad, a criação do gado Tabapuã se destaca pela qualidade e reconhecimento internacional.
A família do médico Alberto Ortenblad mantém a criação do gado Tabapuã em uma fazenda localizada em Uchoa, no interior do estado de São Paulo, há cinco gerações. Alberto Ortenblad foi o responsável pela formação dessa raça na década de 1940, desenvolvendo o gado a partir de cruzamentos in-breeding com gado mocho nacional e animais da raça Nelore, adaptados ao clima tropical e à vegetação de Mata Atlântica.
Atualmente, a propriedade rural abriga cerca de 300 vacas que fazem a reposição de fêmeas e geram em média 150 touros por ano para comercialização no mercado brasileiro. A fazenda também explora a plantação de cana-de-açúcar e atividades de silvicultura, com ênfase na recuperação planejada de florestas.
Arthur Assumpcao Ortenblad Filho, engenheiro agronômico formado pela USP e um dos administradores da fazenda, destaca que o esforço dos irmãos Alberto e Rodolpho Ortenblad foi crucial para o reconhecimento da raça pelo Ministério da Agricultura em 1981. Na seleção original, os irmãos adotaram o acasalamento in-breeding para preservar características desejáveis da raça, resultando no gado Tabapuã tal como é conhecido hoje.
O manejo dos animais conta com provas de ganho de peso realizadas pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), exames de ultrassom de carcaça e avaliações da precocidade sexual das fêmeas. Bezerros machos classificados nas seleções são vendidos como touros jovens, enquanto as fêmeas aptas são mantidas para reposição e as demais são comercializadas.
Além da fazenda em Uchoa, outra parte da família mantém criação na Fazenda Santa Cecília, na cidade de Tabapuã. A tradição da família Ortenblad na criação da raça já soma aproximadamente 85 anos.
O gado Tabapuã se destaca no cenário nacional e internacional pela alta produtividade, especialmente pela rapidez no ganho de peso e pela alta lactação nas fêmeas. Alguns exemplares fêmeas chegam a alcançar valor comercial de até R$ 2 milhões, enquanto os machos podem custar cerca de R$ 1,25 milhão.
Segundo técnicos, a raça contribuiu para que a pecuária brasileira alcançasse níveis de excelência e competitividade no mercado internacional, devido à alta tecnologia empregada e ao baixo custo de produção.