Fonoaudióloga de Marília esclarece sinais da dislexia em crianças e necessidade de diagnóstico precoce
Especialista destaca que dislexia não está ligada à inteligência e reforça a importância de acompanhamento multidisciplinar para o desenvolvimento infantil.
Identificar dificuldades persistentes na leitura e na escrita em crianças pode ser um indicativo de dislexia, um transtorno do neurodesenvolvimento que compromete o processamento da linguagem escrita. A fonoaudióloga Marília Seno, de Marília (SP), em entrevista ao g1, explica que esses sinais aparecem tanto antes quanto durante a alfabetização, exigindo observação especializada e avaliação multidisciplinar.
De acordo com a profissional, na educação infantil a criança pode apresentar dificuldade em aprender rimas e em reconhecer palavras que começam com sons semelhantes. Durante a alfabetização, os desafios se manifestam na associação entre letras e seus sons correspondentes, dificuldades na leitura fluente e na escrita correta. Trocar letras isoladamente, como o “F” pelo “V”, não é, por si só, indicativo de dislexia.
Em crianças mais velhas e adolescentes, a leitura pode ocorrer normalmente, porém de forma lenta e pouco automática, acompanhada por persistentes dificuldades ortográficas e problemas na compreensão e produção de textos mais complexos.
O diagnóstico da dislexia deve ser feito por uma equipe multidisciplinar composta por neuropsicólogo, psicopedagogo, neuropediatra e fonoaudiólogo, que investigam não apenas as habilidades de leitura e escrita, mas também a consciência fonológica e o histórico familiar.
Um caso relatado pela mãe da adolescente Helena Vasconcelos, diagnosticada entre 9 e 10 anos, exemplifica a importância do diagnóstico precoce. Apesar do bom reconhecimento de vocabulário, Helena enfrentava dificuldades gramaticais, o que motivou a busca por avaliação e tratamento. A escola teve papel fundamental ao identificar o desvio na aprendizagem e oferecer suporte inicial.
A fonoaudióloga destaca que a dislexia não é uma doença e, portanto, não possui cura, mas que o tratamento tem como foco desenvolver as habilidades individuais comprometidas e aplicar estratégias pedagógicas específicas para melhorar o aprendizado da criança, com sessões individualizadas que abrangem consciência fonológica, fluência, ortografia e produção textual.
Além das dificuldades escolares, a dislexia pode afetar a autoestima, provocando evasão e aversão à leitura. Por isso, a adaptação escolar e o suporte adequados são fundamentais para garantir o acesso ao conteúdo curricular e permitir demonstração eficaz do conhecimento adquirido.
Helena, que recebe acompanhamento constante, afirma atualmente conseguir lidar melhor com a leitura, ressaltando a relevância do apoio especializado e a adaptação na escola para seu desenvolvimento.