Petróleo fecha sem direção única em meio a negociações Rússia-Ucrânia e ataques no Oriente Médio
Contratos futuros do petróleo apresentaram alta no Brent e queda no WTI em sessão volátil diante de negociações para a Ucrânia e tensão regional.
Os contratos futuros do petróleo encerraram a última quarta-feira sem uma direção definida, em uma sessão marcada pela volatilidade no mercado. Os investidores reagiram a uma combinação de avanços nas negociações para uma possível resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia, ataques recentes a embarcações no Estreito de Ormuz, além de dados econômicos relativos aos estoques da commodity nos Estados Unidos.
Na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para entrega em dezembro fechou em alta de 0,03%, cotado a US$ 108,82 o barril. Já o petróleo WTI para o mesmo mês, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), registrou uma queda de 0,68%, encerrando o pregão a US$ 97,15 o barril.
Avanço nas negociações Rússia-Ucrânia influencia mercado
O movimento de queda do petróleo WTI durante o dia foi influenciado pelo anúncio de que os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, concordaram em retomar as negociações trilaterais com os Estados Unidos visando o encerramento do conflito entre os dois países.
Putin recebeu em São Petersburgo o enviado dos EUA, Steve Witkoff, para discutir uma possível resolução negociada da guerra, pouco depois do representante americano ter se encontrado com Zelensky e líderes europeus em Oslo. Essas conversas trouxeram uma perspectiva de melhora na estabilidade geopolítica, reduzindo parte das preocupações do mercado.
Tensão no Oriente Médio e estoque nos EUA
Apesar do otimismo com as negociações, ataques a petroleiros perto de Omã e do Iraque causaram apreensão. A agência britânica de Operações de Comércio Marítimo (UKMTO) relatou projéteis atingindo embarcações na região, o que intensifica a incerteza sobre o fluxo de petróleo na rota estratégica do Estreito de Ormuz.
Em meio a esses ataques, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou em artigo no Financial Times que o país está disposto a buscar solução diplomática para os conflitos regionais, mas também preparado para se defender caso necessário.
No entanto, dados da empresa Kpler mostraram que os embarques de petróleo do Oriente Médio superaram os níveis registrados antes do início da guerra, com fluxos diários médios superiores a 24 milhões de barris na semana até 18 de outubro, contra 23,3 milhões de barris anteriormente.
Outro fator que sustentou parte da alta do Brent foi a divulgação dos estoques de petróleo nos Estados Unidos, que caíram 3,06 milhões de barris na última semana, indicando uma oferta mais restrita no maior consumidor global da commodity.
Esses elementos combinados de negociações diplomáticas, tensão no Oriente Médio e estoque em queda mantêm o mercado de petróleo volátil, refletindo incertezas que poderão se ajustar conforme os desdobramentos políticos e econômicos nos próximos dias.