Sangue raro de único doador de Santa Catarina viaja pela primeira vez na cabine de voo comercial para salvar paciente em Minas Gerais
Bolsa de sangue Js(b-), tipagem extremamente rara, foi transportada na cabine de avião de forma inédita para atender emergência médica em Juiz de Fora.
Santa Catarina levou a cabo, pela primeira vez na história do estado, o transporte de uma bolsa de sangue raro na cabine de um avião comercial de passageiros. A bolsa, com tipagem sanguínea Js(b-), considerada extremamente rara, foi enviada no dia 10 de outubro para salvar um paciente em Juiz de Fora (MG).
O material partiu de Joinville, cidade no Norte catarinense, onde reside o único doador registrado com essa classificação sanguínea no estado. Após a notificação do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) sobre a necessidade do paciente mineiro, a equipe do órgão entrou em contato com o voluntário, que concordou em realizar a doação.
Depois da coleta, a bolsa foi acondicionada em uma caixa térmica e transportada na cabine do voo comercial que saiu de Florianópolis com destino a Belo Horizonte. No mesmo dia, o sangue seguiu para Juiz de Fora, onde foi entregue ao paciente. Os nomes do doador e do receptor não foram divulgados.
O Hemosc ressaltou que esta ação inaugura uma nova etapa, uma vez que até então apenas órgãos e tecidos tinham autorização para viagem na cabine de passageiros. A mudança foi possível graças a um acordo recente entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e companhias aéreas, que incluiu o transporte de sangue raro na cabine, garantindo agilidade em situações de emergência.
Antes do acordo, a logística previa que o sangue raro fosse enviado como carga no porão do avião, resultando em prazos mais longos e maior burocracia. Com o novo procedimento, o transporte passou a ser urgente e praticamente imediato.
Contexto da tipagem sanguínea rara
De acordo com a Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT), uma tipagem sanguínea é considerada rara quando identificada em menos de uma pessoa a cada mil analisadas. Atualmente, existem 49 sistemas de grupos sanguíneos reconhecidos oficialmente, incluindo 398 antígenos e 2.001 variações genéticas.