Trabalho remoto apresenta riscos invisíveis à saúde física e mental, destaca especialista
O trabalho remoto traz desafios ergonômicos e de saúde mental que exigem novas estratégias de prevenção nas empresas.
O trabalho remoto e híbrido, amplamente adotado, eliminou o deslocamento e ampliou a flexibilidade dos profissionais, mas também trouxe novos riscos ocupacionais que, embora menos visíveis, têm impacto relevante sobre a saúde física e mental. Conforme destaca o médico do trabalho Dr. Charles Dias, CEO da Perfil Saúde Corporativa, esses riscos persistem fora do escritório e exigem adaptação na gestão das empresas.
No ambiente doméstico, é comum que os profissionais improvisem estações de trabalho, com utilização de cadeiras inadequadas, notebooks diretamente sobre a mesa e pouca variação postural, o que contraria as diretrizes da Norma Regulamentadora NR-17, que propõe a adaptação do trabalho às características do trabalhador para conforto e segurança.
Essa inadequação tem efeitos cumulativos, capazes de resultar em problemas musculoesqueléticos como LER (lesão por esforço repetitivo) ou DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho). Sintomas como tensão cervical, dor lombar, formigamento nas mãos e cansaço visual são indicadores importantes para alerta precoce. O especialista enfatiza que posturas incorretas mantidas por longos períodos e a inexistência de pausas aumentam esse risco.
Além dos aspectos físicos, o trabalho remoto também desafia a saúde mental devido à diluição dos limites entre tempo profissional e pessoal. A conectividade constante pode levar a jornadas prolongadas, sensação de disponibilidade permanente, fadiga acumulada, ansiedade e dificuldades para desligar ao final do dia.
Dr. Charles explica que a flexibilidade verdadeira permite que o trabalhador organize seu tempo, faça pausas e descanse adequadamente, enquanto a sensação de estar sempre “ligado” resulta em esgotamento e estresse crônico.
Outro ponto destacado é a solidão decorrente do afastamento do convívio presencial. Mesmo com uma agenda cheia de reuniões virtuais, os profissionais podem sentir isolamento pela falta de contato humano espontâneo, como conversas informais e momentos sociais que fortalecem o sentimento de pertencimento.
Para as organizações, o desafio está em identificar sinais de isolamento, como diminuição da participação, retraimento e queda de desempenho, além de evitar que problemas individuais sejam interpretados isoladamente, sem considerar condições organizacionais que podem contribuir para adoecimentos coletivos.
Um acompanhamento efetivo requer avaliações ergonômicas remotas, pesquisas de percepção, canais de escuta e monitoramento de indicadores como rotatividade e afastamentos. Preparar lideranças para identificar sobrecarga e sinais de desgaste permite intervenções preventivas.
O médico reforça que a prevenção não deve se restringir ao ambiente físico do escritório e que a responsabilidade pela saúde e segurança no trabalho remoto é uma tarefa compartilhada entre empresa e trabalhador. Excluir a empresa dessa equação ignora os riscos invisíveis do isolamento, da conexão permanente e dos distúrbios do sono.
Assim, a saúde corporativa precisa se transformar para acompanhar as novas formas de trabalho, ampliando seu olhar para o ambiente onde o trabalho efetivamente acontece e para as novas demandas ergonômicas e psicossociais que surgem nesse contexto.
Para suporte na estruturação desse acompanhamento, a Perfil Saúde Corporativa disponibiliza consultoria para avaliação dos desafios específicos de cada operação e desenvolvimento de estratégias de prevenção adequadas ao trabalho remoto e híbrido.
Informações de contato: www.perfilsst.com.br / telefones (13) 3223-7772 e (11) 3336-6557.