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Fundos de pensão planejam ampliar ações após redução significativa desde 2013

Desde 2013, a participação de ações nos fundos de pensão brasileiros caiu de 34% para 4,7%, mas há intenção de retomada nos próximos anos.

21/10/2026 às 11h11

Desde 2013, os fundos de pensão brasileiros reduziram drasticamente a participação de ações em suas carteiras, que caiu de 34% para apenas 4,7% em dezembro de 2025, segundo dados do Raio-X de Investimentos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) de 2026 apresentados pela Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar) em parceria com a Itajubá Investimentos.

O estudo, divulgado em congresso realizado em São Paulo, abrange entidades detentoras de cerca de R$ 461 bilhões em ativos, representando cerca de um terço do sistema nacional. A pesquisa comparou as alocações de dezembro de 2025 com as de 2013 e 2023 e revelou que, apesar da retração recente, os fundos têm a intenção de aumentar a exposição à renda variável, especialmente ações, nos próximos três anos, com alta mais expressiva prevista para o horizonte de longo prazo (36 meses).

Preferência atual pela renda fixa e desafios para retomada de ações

Em dezembro de 2025, os fundos de pensão concentravam 86% dos ativos em renda fixa, principalmente em títulos públicos indexados à inflação, como as NTN-Bs (Tesouro IPCA+). Conforme explicou João Ferreira, diretor de Investimentos da Abrapp, essa concentração reflete o contexto de juros reais elevados, que proporcionaram rentabilidades superiores aos compromissos atuariais das entidades, além da maturidade do sistema, no qual pagamentos de benefícios superam as contribuições, reforçando a necessidade de ativos menos voláteis e mais estáveis.

Leia também: Mercado de capitais brasileiro bate recorde de R$ 556,7 bilhões até setembro com queda na renda fixa

Ferreira destacou, entretanto, que uma retomada mais vigorosa dos investimentos de maior risco dependerá de uma mudança estrutural no cenário de juros reais, com a necessidade de que estes se mantenham em níveis mais baixos e previsíveis por períodos prolongados para que os fundos busquem retornos superiores aos dos títulos públicos.

Investimentos no exterior ganham força

O levantamento indicou que, entre as intenções de aumento de exposição para os próximos anos, os investimentos no exterior lideram, segundo Carlos Garcia, sócio-fundador da Itajubá Investimentos. A presença de estratégias internacionais nas políticas de investimento das entidades passou de 50% em 2013 para 84% em 2026, com maior protagonismo de mandatos globais em detrimento dos voltados exclusivamente para os Estados Unidos.

A diversificação e a baixa correlação dos ativos internacionais foram apontadas como os principais motivos para essa crescente busca por exposição externa. Em contraste, imóveis e Fundos de Investimento em Participações (FIPs) são as classes de ativos com maior intenção de redução na carteira dos fundos.

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