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Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas distintas para ajuste fiscal e controle dos gastos públicos

No segundo turno presidencial, Lula opta por ajuste gradual com metas até 2030, enquanto Flávio Bolsonaro propõe medidas mais rápidas para conter despesas.

Por redação gnews invest 21/10/2026 às 07h15

O segundo turno da eleição presidencial em 2026 coloca frente a frente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), com propostas econômicas distintas para enfrentar o desafio do controle dos gastos públicos no Brasil. A atual dívida pública alcança 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), exigindo medidas para equilibrar as contas federais, diante do crescimento das despesas obrigatórias e da limitação dos recursos para investimentos.

Propostas de ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro propõe acelerar o ajuste fiscal com uma meta de melhora das contas públicas equivalente a 1,5% do PIB nos primeiros 18 meses do governo. Seu programa de governo apresenta a intenção de substituir o atual arcabouço fiscal por um mecanismo que utilize a relação entre dívida pública e PIB como referência para controlar os gastos públicos. A proposta inclui restrições ao crescimento real das despesas enquanto o endividamento estiver acima de um determinado patamar, que, conforme declarações do ex-ministro Adolfo Sachsida, poderia ser o congelamento das despesas em termos reais enquanto a dívida superar 65% do PIB, embora esse parâmetro ainda não tenha sido formalizado.

Outras medidas apresentadas pelo candidato envolvem a extinção de ao menos dez ministérios, a redução de cargos comissionados, o combate aos supersalários e a revisão de despesas administrativas. A campanha também prevê privatizações, venda de imóveis da União e monetização de ativos públicos como fontes de receita, sem que essas iniciativas necessariamente representem uma redução permanente dos gastos.

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Flávio Bolsonaro mantém a promessa de preservar benefícios sociais e aposentadorias, concentrando os cortes na burocracia e em gastos considerados ineficientes. A equipe econômica ainda não divulgou estimativas individualizadas sobre a contribuição de cada medida para o ajuste fiscal nem detalhou mudanças em despesas obrigatórias.

Rumo gradual previsto por Lula

O programa de Lula baseia-se na manutenção da regra fiscal criada em seu terceiro mandato, que limita o crescimento das despesas conforme a evolução das receitas. A intenção é alcançar, de forma progressiva, um superávit primário de 1,3% do PIB até 2030, o que representa uma correção de aproximadamente 1,7 ponto percentual do PIB em relação ao déficit projetado para 2026.

A campanha considera a possibilidade de alterar parâmetros do atual arcabouço fiscal, como reduzir limites de crescimento real das despesas e estabelecer metas fiscais mais rigorosas. Também estão em discussão mudanças nas regras de financiamento da saúde e educação, que possuem tetos constitucionais vinculados à arrecadação, e revisões em programas sociais para evitar despesas sobrepostas, além de conter o crescimento de benefícios obrigatórios, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A equipe econômica planeja aprofundar a revisão de benefícios tributários, mantendo linha iniciada por redução de incentivos fiscais já executada durante o governo atual. Paralelamente, o programa propõe preservar investimentos públicos e expandir políticas sociais, o que reforça a necessidade de decisões criteriosas sobre o destino das despesas.

Impacto da política tributária e desafios estruturais

Quanto à política tributária, Flávio Bolsonaro defende a revisão de aumentos de impostos promovidos no governo Lula, propondo redução da carga tributária para empresas e trabalhadores, com impacto potencial na arrecadação que exigiria novos cortes para cumprir metas fiscais.

Já Lula sustenta a continuidade de alterações na tributação da renda, focando na cobrança de contribuintes de maior renda e na revisão periódica de incentivos fiscais.

Ambos os candidatos reconhecem o desafio causado pelo crescimento das despesas obrigatórias, que incluem Previdência, pessoal, benefícios assistenciais e outras obrigações legais, muitas vezes vinculadas a regras constitucionais. Mudanças estruturais nessas despesas dependem de alterações legislativas complexas e do resultado do Congresso eleito.

Contexto político e perspectiva

A implementação das propostas fiscais dependerá do apoio do Congresso Nacional. Alterações constitucionais que impactem as despesas obrigatórias necessitam de ampla maioria legislativa. Assim, o equilíbrio entre as propostas econômicas dos candidatos e a composição do Legislativo será fator decisivo para a condução do ajuste fiscal no próximo ciclo.

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