Farmácias de São Paulo se unem à polícia para combater roubo de canetas emagrecedoras
Grandes redes de farmácias firmam parceria com autoridades de São Paulo para prevenir furtos de medicamentos de alto valor, especialmente canetas emagrecedoras.
O aumento significativo nos roubos de medicamentos de alto valor, especialmente canetas para emagrecimento da classe GLP-1, levou grandes redes de farmácias em São Paulo a fortalecer a segurança interna e estabelecer uma cooperação direta com as autoridades policiais. A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) formalizou uma parceria com órgãos de segurança civis e militares do estado, visando à prevenção e redução dessas ocorrências.
Segundo levantamento da Abrafarma, os furtos e roubos desses medicamentos causaram perdas aproximadas de R$ 70 milhões, correspondendo à subtração de 58.898 unidades. Esses prejuízos ultrapassam o valor dos próprios produtos e incluem custos extras com vigilância, monitoramento e prevenção, além de agravar o risco para funcionários e clientes das farmácias.
O acordo firmado envolve o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e sete grandes redes varejistas associadas, com a intenção de mapear padrões criminosos, horários, locais e modus operandi, possibilitando estratégias mais eficientes contra os assaltos.
Durante 2025, as farmácias associadas registraram em média 11 ocorrências diárias só na cidade de São Paulo, que concentrou 64% dos casos. Outros municípios como Campinas, Guarujá e Guarulhos também apresentam índices significativos. A concentração geográfica é um dos pontos que motivaram essa iniciativa conjunta entre o setor farmacêutico e as forças de segurança.
Apesar da queda geral nos roubos na capital paulista – que registrou 98.358 casos em 2025, redução de 14,6% em relação ao ano anterior – os furtos e roubos em drogarias permanecem preocupantes, especialmente devido ao alto valor dos medicamentos visados e à ação de quadrilhas especializadas. Entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizados 162 roubos e furtos em farmácias na cidade.
A violência dessas ocorrências tem trazido consequências graves, incluindo mortes de profissionais, como ocorrido em fevereiro de 2026 com a farmacêutica na zona norte da capital e um guarda-civil na zona oeste.
Além do combate aos crimes em si, a parceria com as autoridades busca identificar e desarticular os canais de revenda ilegais dos medicamentos roubados, tendo em vista os riscos sanitários associados à comercialização fora dos canais oficiais, especialmente para produtos que exigem refrigeração adequada.
O projeto conta ainda com o apoio do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) e da empresa Sekron Digital, especializada em segurança eletrônica. Essa união pretende aumentar a eficiência das ações policiais por meio do uso de tecnologia e do compartilhamento de informações das redes varejistas para identificar padrões e evitar novas ocorrências.
O delegado Pedro Santos, do Deic, ressaltou que essa integração visa tornar as operações policiais mais ágeis e precisas na identificação dos criminosos.
O CEO da Abrafarma, Sergio Mena Barreto, destacou que a iniciativa visa não apenas a proteção dos estabelecimentos, mas também a segurança dos colaboradores, reforçando a importância das medidas de prevenção frente ao crescimento do mercado farmacêutico, que faturou R$ 118,5 bilhões em 2025, com expansão de 5,9% no número de estabelecimentos.